Alerta trabalhista: Demissão para recontratar como PJ é fraude, adverte advogada Carla Reis

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Alerta Trabalhista Demissão Para Recontratar Como Pj É Fraude, Adverte Advogada Carla Reis

O Correio do Interior consultou a advogada Carla Reis, que emitiu um forte alerta sobre a prática de “Pejotização” — quando a empresa faz a demissão um funcionário celetista para recontratá-lo como Pessoa Jurídica (PJ). Segundo a advogada, a proposta, muitas vezes vendida como vantajosa pelo aumento de salário sem descontos da CLT, é uma “cilada” que implica na perda de direitos fundamentais.

Perda de direitos na pejotização

A Dra. Carla Reis detalha que, ao aceitar a transição para o regime PJ, o trabalhador abre mão de uma vasta rede de proteção social e garantias financeiras:

  • Fim do FGTS: O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço deixa de ser acumulado.
  • Sem Seguro-Desemprego: Em caso de término do contrato, o profissional fica sem essa proteção.
  • Adeus a Benefícios: Direitos como 13º salário e férias remuneradas desaparecem, a menos que sejam especificamente negociados, o que, de acordo com a advogada, “raramente acontece”.
  • Proteções Ausentes: Não há previsão de Aviso Prévio ou de Multa de 40% sobre o FGTS na relação de trabalho estabelecida sob o regime PJ.

O “Pulo do Gato” e a Fraude Trabalhista

A advogada ressalta o ponto crucial que configura a irregularidade: “Se você continuar cumprindo horário fixo, recebendo ordens diretas e sendo subordinado a um chefe, isso é fraude trabalhista“, alerta. A legislação brasileira define que a natureza da relação de trabalho se estabelece pela forma como ela é exercida, e não pelo tipo de contrato assinado. Em outras palavras, se o profissional age como um empregado, a lei o reconhece como tal, independentemente do vínculo formal de PJ.

Recomendações da especialista

Para quem está diante dessa proposta, Dra. Carla Reis recomenda cautela e ação estratégica:

  1. Não Assine Imediatamente: É fundamental ler todo e qualquer documento com calma e atenção antes de firmar um novo contrato.
  2. Junte Provas: Guardar evidências de subordinação (como e-mails, mensagens, e qualquer forma de controle de ponto) é crucial para comprovar a fraude.
  3. Procure Ajuda Legal: Consultar um advogado trabalhista é o passo mais importante para que o profissional possa avaliar se há, de fato, uma fraude em seu caso e buscar a reparação de seus direitos na Justiça.

“Informação é o seu maior direito”, conclui a Dra. Carla Reis, incentivando os trabalhadores a se munirem de conhecimento e a compartilharem o alerta com colegas que possam estar na mesma situação.