Vereador de Mairinque propõe execução dos hinos nas escolas, mas projeto é barrado

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Vereador De Mairinque Propoe Execucao Dos Hinos Nas Escolas Mas Projeto E Barrado

O vereador Rogério Mecânico apresentou à Câmara de vereadores de Mairinque o Projeto de Lei 26/2025-L, que propõe a obrigatoriedade da execução do Hino Nacional Brasileiro e do Hino do Município de Mairinque uma vez por semana nas escolas da rede municipal. A execução deveria ocorrer, preferencialmente, às quartas-feiras no início das atividades escolares.

A justificativa apresentada por Rogério destaca o papel educativo e cívico da música como ferramenta de construção de identidade e valores. Segundo o vereador, o objetivo seria proporcionar aos alunos momentos de reflexão, cidadania e orgulho local. Ele também ressaltou que a proposta não se restringe à execução literal dos hinos, mas poderia incluir atividades pedagógicas que incentivem o debate e o aprendizado sobre os símbolos nacionais e municipais.

“Queremos reforçar a identidade nacional e municipal, criando um ambiente escolar mais respeitoso, engajado e consciente das tradições e valores que moldam nossa sociedade”, declarou o parlamentar em sua justificativa.

No entanto, apesar da intenção cívica, o projeto enfrentou obstáculos jurídicos e constitucionais. Um parecer jurídico emitido pela própria Câmara Municipal de Mairinque, datado de 7 de abril de 2025, apontou que a proposta fere o princípio da separação dos poderes.

O documento jurídico destaca que a competência para legislar sobre diretrizes da educação é privativa da União, conforme o artigo 22 da Constituição Federal. Além disso, estabelece que o Legislativo não pode impor obrigações ao Executivo, como a implementação de programas ou medidas administrativas, sem ferir a autonomia dos poderes.

“Ao criar a obrigatoriedade de incluir a execução dos hinos nas escolas municipais, o Legislativo está invadindo uma área típica do Executivo”, afirma o parecer. Com isso, a proposta foi considerada formalmente inconstitucional.

Apesar da rejeição do projeto sob o aspecto legal, o debate levantado pelo vereador reacendeu discussões sobre a valorização dos símbolos nacionais e o papel da educação cívica nas escolas públicas. Rogério Mecânico defende que a proposta poderia ser reavaliada em formato alternativo, respeitando as competências legais e promovendo os mesmos valores por meio de ações pedagógicas voluntárias ou parcerias com a Secretaria Municipal de Educação.