Situação de paciente internado na Unimed São Roque termina na delegacia com denuncia grave

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Situação De Paciente Internado Na Unimed São Roque Termina Na Delegacia Com Denuncia Grave

A noite de sexta-feira (03/04) foi marcada por uma movimentação policial no Hospital Unimed, em São Roque, que se estendeu até a madrugada na delegacia da cidade. O filho de um paciente idoso, ao visitar o pai, constatou que ele não estaria recebendo os cuidados básicos essenciais para sua recuperação. O idoso, Osmar Caffalcchio, de 79 anos, foi internado na unidade no dia 24 de março, após sofrer uma broncoaspiração na casa de repouso onde residia.

Segundo o filho do paciente, MárcioCaffalcchio, o seu pai esta “definhando” e visivelmente debilitado, chegando a pedir comida e água no leito hospitalar. Ao questionar a equipe médica, ele teria sido informado de que o paciente estava em cuidados paliativos e que o tratamento deveria ser mantido daquela forma. Diante da gravidade da situação e da negativa do hospital em fornecer o prontuário médico, a família acionou a Polícia Militar e contratou uma médica particular para reavaliar o quadro.

Avaliação médica aponta irregularidades

A Dra. Chiaki Silvia Mori, médica contratada pela família, constatou em sua avaliação que o paciente foi classificado pela Unimed como terminal. Com base nessa classificação, o hospital suspendeu medicações contínuas para condições graves, como Parkinson, Alzheimer, hipertensão e problemas cardíacos. Entre os fármacos interrompidos estavam Prolopa, Memantina, Enalapril e Carvedilol.

Durante a reavaliação, a Dra. Mori observou que, embora estivesse lúcido, responsivo e manifestando o desejo de se alimentar e ir para a casa do filho, o idoso apresentava sinais de negligência. O laudo apontou:

  • Hipotensão, desidratação e baixa saturação de oxigênio (81%).
  • Presença de ruídos pulmonares bilaterais e uma lesão ulcerada no cóccix.
  • Uso de morfina sem indicação clara e ausência de suporte de fisioterapia ou inaloterapia, apesar de o paciente estar muito secretivo.

A médica destacou ainda a inadequação do tratamento para pneumonia (uso de ampicilina) e a falta de introdução de suporte nutricional adequado, como sondas nasogástricas ou enterais. O relatório também cita que a equipe de enfermagem impediu o acesso da médica ao prontuário e à prescrição oficial. Vale ressaltar que negar acesso ao prontuário viola o Código de Ética Médica (Art. 88), já que o documento pertence ao paciente.

Caso termina na delegacia e Justiça intervém

O episódio terminou na madrugada de sábado, na Delegacia de São Roque, com a elaboração de um boletim de ocorrência. A situação envolve possíveis crimes de negligência médica e violações ao Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003), que prevê penalidades severas para omissão de socorro e violência contra pessoas idosas.

Após o registro, a família ingressou com uma medida de urgência. O Juiz de Direito, Rafael Dahne Strenger, determinou que a Unimed São Roque realize, no prazo de 2 horas após a intimação, todos os procedimentos indicados pelo médico assistente (mesmo particular), incluindo o fornecimento de medicamentos, hidratação, suporte nutricional e gastrostomia. A decisão também ordena a entrega imediata do prontuário médico completo ao autor da ação, sob pena de multa diária de R$ 5.000,00, limitada inicialmente a R$ 20.000,00.

Procurada para se manifestar sobre o caso, a Unimed não enviou resposta até o fechamento deste texto. O jornal Correio do Interior mantém o espaço aberto para o posicionamento do hospital.