Marcopolo está testando motor de Renalt Kwid em ônibus híbrido em cidade do interior de SP

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Marcopolo Está Testando Motor De Renalt Kwid Em Ônibus Híbrido Em Cidade Do Interior De Sp

A cidade de Lins, no interior de São Paulo, tornou-se o laboratório para uma tecnologia que promete revolucionar o transporte nacional. Em uma parceria estratégica, a Marcopolo, a Sertran Transportes e a bp bioenergy colocaram nas ruas o primeiro micro-ônibus híbrido elétrico-etanol em operação real.

Diferente dos modelos elétricos convencionais, que dependem exclusivamente de pontos de recarga, o veículo utiliza o combustível vegetal como fonte de energia própria. O objetivo do projeto piloto, iniciado neste mês de abril de 2026, é validar a eficiência do sistema antes de sua produção em série, prevista para o final deste ano.

Coração de SUV, Alma Sustentável

O modelo Volare Attack 9 HVE traz uma engenharia curiosa sob o capô: o motor 1.0 turbo de três cilindros — o mesmo que equipa o Renault Kardian — foi adaptado pela Horse (joint venture entre Renault e Geely) para rodar exclusivamente com etanol.

No entanto, há uma diferença fundamental: o motor a combustão não faz as rodas girarem. Ele utiliza a tecnologia Range Extender (REX), funcionando como um gerador de bordo para alimentar as baterias de 122 kWh. Quem realmente traciona o veículo é um motor elétrico de alta performance desenvolvido pela WEG, garantindo uma condução silenciosa e livre de emissões locais.

Autonomia que impressiona

Um dos maiores gargalos para a eletrificação do transporte no Brasil é a falta de infraestrutura de carregamento em rodovias. O projeto da Marcopolo soluciona essa questão com números robustos:

  • Alcance: O sistema permite uma autonomia média de 450 km, podendo chegar a 650 km em configurações otimizadas.
  • Eficiência: Ao usar o motor 1.0 apenas em rotação constante para gerar energia, o consumo de combustível é drasticamente reduzido se comparado a um motor a combustão tradicional.

Operação em Lins

A demonstração assistida ocorre no transporte diário de colaboradores da bp bioenergy, percorrendo rotas de cerca de 70 km. Segundo os parceiros, os testes são cruciais para provar a viabilidade do modelo em setores como transporte escolar, fretamento e linhas urbanas.

“Este projeto une a força da engenharia brasileira com a vocação do país para os biocombustíveis. Estamos criando uma ponte viável para a descarbonização sem depender de uma rede de recarga que ainda não existe em todo o território”, afirmam os especialistas envolvidos.

O sucesso da operação em Lins deve acelerar o cronograma da Marcopolo, que planeja disponibilizar o modelo para o mercado geral até dezembro de 2026, consolidando o etanol como o “parceiro ideal” da eletrificação no Brasil.