São Roque atinge 63,33 pontos no Índice de Progresso Social

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Divulgado nesta semana, o Índice de Progresso Social (IPS Brasil) revelou um panorama detalhado sobre a qualidade de vida nos municípios brasileiros. Enquanto a vizinha Jundiaí despontou como a segunda melhor cidade do país, São Roque registrou uma nota geral de 63,33 pontos, posicionando-se ligeiramente abaixo da média nacional (63,40) e bem distante da média do estado de São Paulo, que alcançou 67,96 pontos.

O IPS varia de 0 a 100 e não mede o volume de investimentos ou as riquezas locais (como o PIB), mas sim se os serviços públicos essenciais estão, de fato, chegando à população. A análise detalhada de São Roque revela um município com bom desempenho em educação e segurança, mas que enfrenta gargalos históricos em infraestrutura básica.

O Raio-X de São Roque

O índice é calculado a partir de três grandes dimensões. Veja como a “Terra do Vinho” se saiu em cada uma delas:

Necessidades humanas básicas (Nota: 72,91)

Esta dimensão avalia a sobrevivência e o amparo essencial ao cidadão. É aqui que São Roque apresenta seus contrastes mais profundos:

  • Pontos Fortes: O setor de Nutrição e Cuidados Médicos Básicos obteve uma nota sólida de 77,51, ocupando a posição 1.644 no país.
  • O Gargalo do Saneamento: A nota de Água e Saneamento ficou em 65,33. O grande vilão do setor foi o Índice de Perdas de Água na Distribuição, classificado com a cor vermelha (alerta crítico), mostrando desperdício severo antes que o recurso chegue às torneiras.
  • Alerta Vermelho na Moradia: O pior desempenho da dimensão foi em Moradia (80,07, mas na amarga posição 4.685 do ranking nacional). Os indicadores de Domicílios com Iluminação Elétrica Adequada e Domicílios com Paredes Adequadas receberam classificação vermelha, apontando déficit qualitativo habitacional na cidade.

Fundamentos do bem-estar (Nota: 73,42)

Esta área mede o acesso ao conhecimento, informação e qualidade ambiental. Foi a dimensão com a melhor média da cidade:

  • Destaque em Informação: O item Acesso à Informação e Comunicação cravou 87,78 pontos (244ª posição nacional), impulsionado pela boa densidade de telefonia móvel.
  • Educação: O Acesso ao Conhecimento Básico marcou 81,42. No entanto, o abandono e a distorção idade-série no Ensino Médio mantêm a luz amarela acesa.
  • Saúde e Meio Ambiente: A nota para Saúde e Bem-Estar foi de 58,83, enquanto a Qualidade do Meio Ambiente fechou em 65,63.

Oportunidades (Nota: 43,66)

Seguindo uma tendência de muitas cidades brasileiras, a dimensão que avalia direitos, liberdades e inclusão foi a mais baixa de São Roque:

  • Direitos Individuais: A nota foi de apenas 26,07 (posição 2.724).
  • Inclusão Social: Com nota 38,30 (posição 5.277), a cidade acendeu o sinal vermelho para a presença de Famílias em Situação de Rua e para a falta de Paridade de Gênero na Câmara Municipal.
  • Ponto Positivo: O Acesso à Educação Superior registrou 53,36, com bom desempenho (classificação verde) na nota mediana do Enem.

Contraste Regional e o Desafio da Gestão

Embora São Roque possua uma população estimada em 81.366 habitantes (dados de 2025) e um PIB per capita considerado alto — R$ 55.705,91 —, os resultados do IPS comprovam a tese de Melissa Wilm, coordenadora do projeto: riqueza econômica não se traduz automaticamente em bem-estar social.

Enquanto Jundiaí (com PIB e estrutura maiores) atinge o topo do país com 71,79 pontos e Itupeva brilha na 10ª posição nacional, São Roque se estabiliza em um bom patamar. Os dados servem como um mapa para o poder público municipal, indicando que o foco dos próximos anos deve se voltar para a infraestrutura de distribuição de água, melhoria habitacional e inclusão social.