
A Polícia Militar Rodoviária apreendeu uma significativa quantidade de cabelo humano durante operação de rotina na Rodovia Raposa Tavares, em Regente Feijó, interior de São Paulo. A carga de 237,4 quilos, avaliada em aproximadamente R$ 356.100,00, foi encontrada em um veículo Honda Civic com placas do estado de Mato Grosso do Sul durante a “Operação Impacto”, realizada no fim de semana.
A abordagem, conduzida por uma equipe do Tático Ostensivo Rodoviário (TOR), revelou uma operação de comercialização de cabelo humano que aparentemente funcionava sem a devida documentação fiscal. Os policiais descobriram oito pacotes contendo o material distribuídos no porta-malas e no espaço entre os bancos dianteiro e traseiro do veículo, indicando uma tentativa de ocultação da mercadoria.
De acordo com informações prestadas à polícia, a condutora do veículo, uma mulher de 37 anos, adquiriu o cabelo humano na cidade de Dourados, em Mato Grosso do Sul, pagando aproximadamente R$ 1.500,00 por quilo. O investimento total na mercadoria teria chegado a cerca de R$ 356.100,00, considerando o volume apreendido. A intenção declarada era revender o produto em salões de beleza localizados na cidade de São Paulo, o que evidencia uma cadeia de distribuição que atravessa múltiplos estados brasileiros.
Este tipo de operação de comércio de cabelo humano vem se tornando cada vez mais comum no Brasil, refletindo a crescente demanda do mercado de beleza e estética por esse tipo de matéria-prima. O cabelo humano é utilizado na fabricação de extensões capilares, perucas e outros produtos cosméticos de alto valor agregado, criando um mercado lucrativo que, muitas vezes, opera à margem da legalidade.
Questões de Regularização
A principal irregularidade identificada na operação foi a ausência total de documentação fiscal para a mercadoria. Essa falta de comprovação legal é indicativo de que a operação não estava regularizada junto aos órgãos competentes, configurando possível sonegação de impostos e comercialização irregular de produtos. A mercadoria foi encaminhada para a Receita Federal, que irá conduzir as investigações sobre a origem e a legalidade da operação.
A adolescente de 15 anos que viajava como passageira no veículo também foi abordada durante a operação. Ambas as ocupantes do automóvel, a condutora e a jovem, não possuíam antecedentes criminais registrados, o que as levou a serem liberadas após prestarem depoimento na Delegacia da Polícia Federal de Presidente Prudente.
Investigação Federal em Andamento
A ocorrência foi imediatamente encaminhada para a Delegacia da Polícia Federal de Presidente Prudente, indicando que as autoridades federais estão investigando possíveis violações de leis relacionadas ao comércio irregular de produtos e à sonegação fiscal. A transferência do caso para a esfera federal sugere que as investigações podem se expandir para além da simples apreensão da mercadoria, potencialmente envolvendo a rastreabilidade da origem do cabelo humano e a rede de distribuidores envolvida nesta operação.
O cabelo humano, embora seja um produto natural, possui regulamentações específicas quando destinado a fins comerciais. A falta de documentação adequada levanta questões sobre a procedência do material, sua qualidade e conformidade com normas sanitárias e de segurança exigidas para produtos que entram em contato com o corpo humano.
Reflexos no Mercado de Beleza
A apreensão realiza luz sobre um segmento do mercado de beleza que opera frequentemente na informalidade. O valor unitário pago pela condutora, R$ 1.500,00 por quilo, demonstra a rentabilidade do negócio e explica por que tantos comerciantes arriscam-se em operações irregulares. A margem de lucro potencial, considerando a revenda em salões de beleza, pode ser substancialmente maior, tornando o risco legal aparentemente aceitável para alguns operadores.
A “Operação Impacto”, durante a qual a apreensão ocorreu, representa o esforço contínuo das autoridades em coibir atividades comerciais irregulares nas rodovias estaduais. Essas operações de fiscalização são cruciais para garantir que o comércio de produtos seja realizado dentro dos marcos legais estabelecidos, protegendo tanto os consumidores finais quanto a arrecadação tributária do Estado.
Conclusão
A apreensão de mais de 350 mil reais em cabelo humano evidencia a existência de uma cadeia de comercialização sofisticada que atravessa fronteiras estaduais e opera à margem da legalidade. Enquanto as investigações prosseguem na esfera federal, o caso reforça a necessidade de maior fiscalização e regulamentação do mercado de produtos naturais utilizados na indústria de beleza, garantindo que essas operações ocorram dentro dos parâmetros legais e éticos estabelecidos pelas autoridades competentes.

Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.







