
A Polícia Federal abriu investigação sobre uma transferência de R$ 4,4 milhões realizada por uma empresa ligada ao ex-coach e político Pablo Marçal (União Brasil) para a conta pessoal do cantor MC Ryan SP, preso na operação Narco Fluxo desta semana. Segundo documentos do inquérito policial a que o G1 teve acesso, o dinheiro seria destinado à compra de um helicóptero modelo Robinson R66 Turbine, mas os federais apontam indícios de possível lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em nota, Marçal reconheceu a transferência, mas apresentou uma versão diferente da Polícia Federal. O ex-coach afirmou que se trata da compra de um imóvel, não de um helicóptero, contradizendo as informações contidas no inquérito policial que investiga a operação que resultou na prisão de MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e dos influenciadores Chrys Dias e Raphael Sousa, entre outros.
A Operação e as Acusações
A operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal, enquadra Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, como líder de uma organização criminosa voltada à lavagem de dinheiro para a facção PCC. Segundo a investigação, o funkeiro utilizava sua conta pessoal como intermediária para movimentar valores que seriam posteriormente transferidos para suas empresas, dificultando o rastreamento da origem real do dinheiro.
O documento policial aponta que, embora o valor transferido pela empresa R66 Air Ltda — da qual Marçal é sócio — seja compatível com o preço de mercado do helicóptero, o padrão de movimentação financeira segue uma tipologia conhecida como “Uso de Contas de Passagem”. Segundo os federais, essa prática visa “dificultar o rastreio da origem real e a identificação do beneficiário final econômico”.
Análise Policial da Transação
Os investigadores destacam em seus autos que “a conta física de Ryan atuou fundamentalmente como um elo de trânsito para a sua própria Pessoa Jurídica”, com o objetivo de lavar e ocultar o dinheiro recebido. O documento federal afirma ainda que “o repasse massivo reflete, possivelmente, o escoamento direto dos recursos oriundos da R66 Air LTDA (empresa de Pablo Marçal)”.
A análise aponta que a “evasão imediata” dos valores — ou seja, o recebimento e transferência imediata da totalidade dos recursos — configura uma estratégia típica de operações de lavagem de dinheiro, onde contas pessoais são utilizadas como intermediárias para dificultar a rastreabilidade das transações.
A Versão de Marçal
Marçal, que concorreu à Prefeitura de São Paulo em 2024 com apoio de MC Ryan SP durante sua campanha, não respondeu diretamente sobre os detalhes da investigação. Sua nota apenas reconheceu a transferência e afirmou tratar-se de compra de imóvel, sem fornecer maiores esclarecimentos sobre a discrepância com as informações do inquérito policial.
A posição do ex-coach contrasta significativamente com os achados da investigação federal, que especifica o modelo exato do helicóptero (Robinson R66 Turbine) e detalha o padrão de movimentação financeira considerado suspeito pelos investigadores.
Contexto Político e Criminal
A ligação entre Marçal e MC Ryan SP remonta à campanha eleitoral de 2024, quando ambos aparecem juntos em registros de redes sociais. Naquela ocasião, o cantor era conhecido por sua atuação como funkeiro, mas não havia indicações públicas de sua investigação por lavagem de dinheiro para o PCC.
A operação Narco Fluxo representa um dos maiores golpes contra estruturas de lavagem de dinheiro ligadas ao PCC nos últimos anos, envolvendo não apenas criminosos, mas também influenciadores digitais e personalidades públicas que, segundo a acusação, teriam colaborado na ocultação de recursos ilícitos.
Implicações e Próximos Passos
A investigação levanta questões sobre possíveis conexões entre empresas de políticos em exercício e operações financeiras suspeitas. Embora Marçal tenha reconhecido a transferência, a divergência entre sua explicação e a análise policial permanece como ponto central da investigação.
A Polícia Federal continua analisando documentos financeiros e registros de transações para determinar se houve envolvimento direto de Marçal nas operações de lavagem de dinheiro ou se a transferência foi realizada sem seu conhecimento das atividades posteriores de MC Ryan SP.
O caso coloca sob escrutínio a necessidade de maior transparência nas movimentações financeiras de empresas ligadas a figuras públicas e reforça a importância da devida diligência em operações de alto valor financeiro.

Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.





