Uma trágica sequência de eventos culminou na morte da pequena Lívia Alves, de apenas 8 anos, na última segunda-feira (15), na Unidade de Pronto Atendimento (UPH) da Zona Leste, em Sorocaba (SP). Portadora de Síndrome de Down e de uma cardiopatia grave, a criança faleceu enquanto aguardava por uma vaga de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pelo sistema de regulação do Estado. O caso, sob investigação, expõe um grave desencontro de informações entre a equipe médica local e a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross).
Moradora de Araçoiaba da Serra, Lívia começou a manifestar sintomas de gastroenterite aguda (infecção intestinal) no domingo (14). De acordo com a Secretaria de Saúde do município de origem, a menina passou duas vezes pelo Pronto Atendimento Municipal no mesmo dia. Nas duas ocasiões, recebeu medicação via venosa, apresentou melhora clínica e recebeu alta com orientações para a família. A prefeitura alegou que, naquele momento, o quadro clínico não indicava a necessidade de acionar o sistema de vagas do Estado.
Contudo, o estado de saúde da menina piorou drasticamente nas horas seguintes. Desesperada com a falta de evolução, a mãe decidiu buscar socorro por conta própria no município vizinho. Testemunhas que estavam na UPH da Zona Leste relataram que Lívia já chegou desmaiada à unidade, em estado gravíssimo e com desidratação severa decorrente da diarreia.
O impasse no sistema de vagas
A urgência do caso exigia transferência imediata para o Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), referência na região. No entanto, o processo esbarrou em burocracias e respostas divergentes:
- A versão da UPH / Santa Casa: O hospital responsável pela gestão da unidade informou que prestou assistência integral na sala de emergência e que solicitou a vaga prioritária de UTI imediatamente, mas que o sistema estadual indicou que não havia leitos disponíveis no momento.
- A versão da CROSS: A Central de Regulação do Estado contesta formalmente a alegação do hospital. Segundo o órgão, assim que a solicitação foi inserida no sistema, o leito no CHS foi liberado em menos de duas horas.
Apesar das manobras de reanimação da equipe médica, a menina não resistiu antes que qualquer transferência fosse efetuada. Lívia realizava tratamento especializado regular no Hospital Dante Pazzanese, referência cardiológica na capital paulista.
Investigação e acolhimento
O corpo da criança foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbito (SVO) para exames detalhados que determinarão a causa exata do óbito e o impacto real da infecção no quadro cardíaco preexistente. O Conselho Tutelar acompanha os desdobramentos para coletar dados sociofamiliares adicionais, enquanto a Prefeitura de Sorocaba afirmou estar prestando apoio à família.
Sob forte comoção, o sepultamento de Lívia Alves ocorreu na tarde desta terça-feira (16) no Cemitério Municipal de Araçoiaba da Serra.
Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.
