
Nos bastidores do Palácio do Planalto, o clima é de um otimismo estratégico. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva recebeu com bons olhos a movimentação de Hugo Motta, presidente da Câmara, que decidiu destravar o debate sobre o fim da escala 6×1 ao encaminhar duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) para a análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Para o núcleo duro do governo, o gesto de Motta soou como um aperto de mãos simbólico, sinalizando que a Câmara está disposta a encarar a agenda trabalhista. No entanto, o Executivo não pretende ficar apenas como espectador. Enquanto as PECs iniciam sua longa jornada burocrática, Lula e seus ministros mantêm uma carta na manga: o envio de um projeto de lei próprio, com urgência constitucional, para unificar as propostas e acelerar o desfecho.
A Estratégia do Pós-Carnaval
A grande decisão sobre o texto definitivo deve vir logo após o Carnaval. A ideia, ventilada por parlamentares como Lindbergh Farias, é propor um limite de oito horas diárias e um teto de 36 horas semanais, distribuídas em cinco dias. A escolha por um projeto de lei, em vez de apostar todas as fichas em uma PEC, tem uma razão prática: a tramitação é mais veloz e exige menos votos para ser aprovada, servindo como um atalho político.
Mais do que uma mudança na lei, o fim da escala 6×1 é visto como o combustível ideal para a agenda de reeleição de Lula. O objetivo é transformar a medida em realidade ainda no primeiro semestre, garantindo uma marca social forte para o governo antes do início da corrida eleitoral.
Os Obstáculos no Caminho
Apesar do entusiasmo do Planalto e da popularidade do tema nas redes sociais, o caminho no Congresso é estreito. O rito de uma PEC é rigoroso:
- CCJ: Analisa se o texto é constitucional.
- Comissão Especial: Debate o conteúdo e propõe alterações.
- Plenário: Exige o apoio de pelo menos 308 deputados em dois turnos de votação.
Além da burocracia, há a resistência política. Setores alinhados ao empresariado alertam para os impactos econômicos e pressionam por regras de transição. O desafio do governo será equilibrar esse “mote eleitoral” com as demandas do mercado, tentando aprovar uma reforma que seja vista como um avanço para o trabalhador, sem paralisar o setor produtivo.

Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.




