Frigorífico em Goiás é condenado a pagar R$ 130 mil por publicidade discriminatória

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Frigorífico Em Goiás É Condenado A Pagar R$ 130 Mil Por Publicidade Discriminatória

A 23ª Vara Cível de Goiânia condenou o Frigorífico Goiás Ltda ao pagamento de R$ 130 mil por veicular anúncios considerados abusivos e discriminatórios. A decisão, proferida nesta segunda-feira (23/2), atende a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de Goiás (MPGO).

Divisão da Condenação

A penalidade financeira foi estruturada em duas frentes:

  • R$ 30 mil: Indenização por dano moral coletivo devido ao tratamento hostil a consumidores.
  • R$ 100 mil: Multa pelo descumprimento de decisões judiciais anteriores que ordenavam a retirada das mensagens.

O Caso: Discriminação e “Dribles” na Justiça

A polêmica começou em setembro, quando o estabelecimento fixou um cartaz com a frase: “Petista aqui não é bem-vindo”, mensagem que foi reforçada pelo representante legal da empresa em redes sociais.

Após uma liminar que exigia a remoção imediata dos conteúdos, a empresa tentou contornar a ordem substituindo os cartazes por frases como:

  1. “Bandido aqui não é bem-vindo, e nem quem vota em bandido.”
  2. “Camarão GG: maior que cérebro de petista.”

Para o magistrado, essas alterações foram tentativas deliberadas de burlar a justiça, mantendo a prática discriminatória de forma implícita.

Fundamentação Jurídica: O juiz rejeitou o argumento de “liberdade de expressão”, destacando que nenhum direito é absoluto. A conduta violou o Código de Defesa do Consumidor (que proíbe publicidade discriminatória e recusa de atendimento) e princípios constitucionais como a dignidade da pessoa humana e o pluralismo político.


Histórico de Polêmicas e Irregularidades

O estabelecimento acumula um histórico conturbado desde 2022:

  • Tragédia na “Picanha Mito”: Em 2022, uma promoção de picanha a R$ 22 (em referência ao número de Jair Bolsonaro) gerou tumulto e resultou na morte de uma cliente, Yeda Batista, que teve a perna prensada na entrada da loja.
  • Sanções Sanitárias: No mesmo ano, o Procon-GO autuou o local por vender carnes vencidas e sem identificação de validade.
  • Uso de Helicóptero: A empresa foi alvo do Ministério Público Eleitoral por realizar propaganda irregular com um helicóptero durante motociatas.
  • Ações Recentes: Em 2025, o frigorífico usou a imagem de Donald Trump para vender picanha com desconto e, em janeiro deste ano, distribuiu carnes em um ato político organizado pelo deputado Nikolas Ferreira.

O espaço permanece aberto para manifestações da defesa do frigorífico.