
Uma grave denúncia de erro médico e negligência chocou amigos e familiares de uma idosa de pouco mais de 60 anos em Aluminio, interior de São Paulo, que teve sua perna amputada após um procedimento inadequado realizado por um enfermeiro no Posto de Saúde Paulo Dias. A família da vítima agora clama por justiça e por ajuda básica para mantê-la, enquanto a prefeitura e os órgãos de saúde do município mantêm silêncio sobre o caso.
A idosa, que é diabética, possuía uma ferida na perna que exigia cuidados diários de limpeza e higienização. Todos os dias, ela era transportada por um veículo da própria prefeitura até a unidade de saúde para realizar os curativos. O que deveria ser um tratamento de rotina, no entanto, transformou-se em um pesadelo.
“Mutilada viva”, senti muita dor
Em relato ao Jornal Correio do Interior, que esteve presente em sua casa, a idosa descreveu o sofrimento e afirmou que foi “mutilada viva” pelo enfermeiro que te atendeu, e que fez tudo sem qualquer orientação ou supervisão médica.
Durante um desses atendimentos, o enfermeiro utilizou um bisturi e acabou cortando o tendão de ligamentos do músculo da perna da paciente. A idosa relatou ter sentido uma dor absurda no momento do corte, sofrendo uma forte queda de pressão.
Em meio a essa situação o enfermeiro ainda aplicou um curativo compressivo conhecido como Bota de Unna, assegurando à paciente que o procedimento melhoraria seu estado de saúde.
O que é a Bota de Unna?
É uma bandagem elástica impregnada com pasta de óxido de zinco, indicada para tratar úlceras venosas. No entanto, seu uso inadequado ou a compressão excessiva em pacientes com diabetes e lesões arteriais graves pode interromper a circulação sanguínea e acelerar a morte celular (necrose).
Foi exatamente o que aconteceu. Nos dias seguintes, a ferida se agravou drasticamente. A bota compressiva causou o avanço do ferimento e a morte dos tecidos (necrose) da perna da idosa. Diante do quadro irreversível, ela precisou ser transferida com urgência para o Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), onde os médicos tiveram que realizar a amputação do membro para salvar sua vida.
Família pede socorro e doações
Impossibilitada de trabalhar e se locomover adequadamente, a idosa enfrenta agora uma rotina de severas limitações físicas e financeiras. Os familiares iniciaram uma campanha de arrecadação e pedem o apoio da comunidade para garantir itens básicos de sobrevivência e reabilitação, tais como:
- Medicamentos de uso contínuo;
- Andador e equipamentos de acessibilidade;
- Alimentos e itens de higiene pessoal.
O Jornal Correio do Interior entrou em contato via e-mail com o Setor de Saúde de Alumínio e com o gabinete da prefeitura municipal. A reportagem questionou se foi aberta uma sindicância interna para apurar a conduta do enfermeiro e quais medidas assistenciais serão tomadas para amparar a idosa e sua família.
Até o fechamento desta edição, nenhum posicionamento oficial foi enviado pelas autoridades de Alumínio. O espaço segue aberto para manifestações.

Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.






