
A cidade de São Roque amanheceu em luto e sob o signo da indignação. O falecimento de Osmar Caffalcchio, de 79 anos, ocorrido na última sexta-feira (10/04), não é apenas a despedida de um ente querido, mas o estopim de uma grave denúncia de negligência hospitalar que agora corre nos tribunais.
O Jornal Correio do Interior conversou com Marcio Caffalcchio, filho de Osmar, que viveu 15 dias de uma vigília angustiante em um hospital particular da cidade. Entre decisões judiciais e idas à delegacia, Marcio relata o que descreve como um cenário de “tortura e abandono” dentro da unidade de saúde.
“Fome e Sede”: O Grito de Socorro de um Pai
Segundo Marcio, o sofrimento de seu pai foi agravado pela consciência do idoso, que mesmo debilitado, compreendia a privação a que estava sendo submetido.
“Foi angustiante ver meu pai pedir água e comida. Ele estava lúcido, verbalizava a fome, verbalizava a sede. E o hospital, mesmo após o presidente da instituição me assegurar que o tratamento estava correto, mantinha essa privação”, relata o filho, emocionado.
A família alega que um procedimento de gastrostomia (GTT) — essencial para a alimentação via sonda — foi cancelado sem justificativas claras, citando apenas “alterações laboratoriais” que nunca foram detalhadas.
A Intervenção Policial e a Batalha Judicial
O caso escalou quando a médica contratada pela família, Dra. Chiaki Silva Mori, examinou Osmar e constatou o quadro clínico severo de desnutrição e desidratação. Diante da negativa do hospital em fornecer o prontuário médico, a polícia precisou ser acionada.
“Quando a Dra. Mori constatou que ele estava efetivamente desnutrido e desidratado, não tive alternativa. Pedi a intervenção da polícia. O hospital manteve a posição de negar acesso aos documentos e, pior, negar dignidade e conforto ao meu pai”, afirma Marcio.
A resistência da unidade de saúde levou o caso à 1ª Vara Cível de São Roque. Foram necessárias duas decisões judiciais para tentar garantir o atendimento:
- A primeira, determinando o atendimento adequado imediato.
- A segunda, ordenando a entrega do prontuário sob pena de multa de R$ 100 mil e a nomeação de um perito judicial.
Outras Denúncias: Lesões e Falta de Cuidados
Além da fome, o laudo médico e o depoimento de uma cuidadora apontam que Osmar sofria com lesões por pressão (escaras) sem os devidos curativos e a ausência total de fisioterapia respiratória, cuidados básicos para pacientes em internação prolongada.
O Outro Lado: Unimed São Roque nega acusações
Em nota oficial enviada à nossa redação, a Unimed São Roque rebateu as críticas. A instituição afirma que o paciente recebeu “toda a assistência compatível com seu quadro clínico” e que as condutas foram baseadas em “protocolos médicos reconhecidos”.
O hospital alega ainda que possui documentação que comprova a condução técnica e ética do caso e que todas as tratativas foram alinhadas com a responsável legal. “A instituição reafirma seu compromisso com a vida e se coloca à disposição das autoridades”, diz o texto.
A Busca por Justiça
Para Marcio Caffalcchio, a morte do pai não encerra o caso. Pelo contrário, dá início a uma busca por responsabilidade criminal e civil.
“Essas situações só mudaram após a intervenção do Judiciário. Não pretendo desistir de apurar a verdade. Quero que outras famílias não passem pela angústia que eu passei. Quero que se faça justiça por ele”, finaliza.

Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.




