Vereadores suspeitam de “Pedalada Fiscal” em Mairinque após prefeito pedir R$ 12 milhões

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Vereadores Suspeitam De Pedalada Fiscal Em Mairinque Após Prefeito Pedir R$ 12 Milhões

A sessão da Câmara Municipal desta terça-feira (03/03) foi palco de um embate técnico e político sobre a saúde financeira da gestão do prefeito Eduardo Thomaz. O centro da polêmica é o Projeto de Lei nº 07/2026, que solicitou a abertura de um crédito suplementar de R$ 12.394.000,00 para quitar dívidas do exercício anterior, além de outros projetos que, somados, ultrapassam R$ 26 milhões em remanejamentos de última hora.

A vereadora Rose do Cris apresentou dados alarmantes que sugerem uma discrepância profunda entre o que a prefeitura informou dever em dezembro de 2025 e o que confessa agora. Segundo a parlamentar, o balancete de dezembro registrava uma dívida de R$ 661 mil com a merenda escolar, mas o novo projeto pede R$ 4,9 milhões para a mesma finalidade — um salto de mais de 600%.

Situação similar ocorre na coleta de lixo: enquanto o balanço apontava R$ 1,3 milhão, o governo agora busca R$ 2 milhões. A suspeita levantada é de que empenhos tenham sido realizados acima da previsão orçamentária (R$ 13 milhões empenhados contra R$ 11 milhões previstos), o que fere frontalmente a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Tanto Rose quanto o vereador Alexandre Peixinho criticaram a falta de transparência e o “atropelo” no rito legislativo. Os projetos, que alteram leis estruturais como o PPA e a LDO, chegaram à Câmara na sexta-feira à tarde para votação nesta terça-feira. A gravidade da pressa foi reconhecida inclusive pelo líder do governo, vereador Túlio Camargo, que admitiu em plenário que os documentos chegaram “em cima da hora”, dificultando a elaboração de pareceres técnicos pelas comissões.

A falta de atualização plena do Portal da Transparência de Mairinque foi citada como o principal entrave para a fiscalização. Os vereadores agora buscam, via Requerimento de Informações, o acesso aos empenhos originais para confirmar se houve a emissão de notas sem reserva orçamentária, bem como o real saldo de restos a pagar junto as empresas que prestaram serviços em 2025.
O Que Diz a Lei

A chamada “pedalada fiscal” municipal ocorre quando o gestor encerra o ano deixando despesas para o sucessor (ou para o próximo exercício) sem a devida disponibilidade de caixa, violando o Artigo 42 da LRF. A omissão de passivo nos relatórios de final de ano, se comprovada, pode levar à rejeição das contas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) e à inelegibilidade do prefeito.