
A Polícia Civil prendeu, nesta terça-feira (28/04), o treinador de jiu-jitsu Melqui Galvão em Manaus. A peça-chave que viabilizou a prisão temporária foi uma gravação de áudio com mais de 16 minutos, na qual o investigado admite comportamentos impróprios, pede desculpas à família de uma das vítimas e oferece vantagens financeiras para evitar uma denúncia formal.
Segundo as autoridades, o material comprovou indícios de autoria e materialidade nos crimes sexuais investigados. Melqui, que também é policial civil, é suspeito de abusar de alunas, incluindo menores de idade.
O conteúdo do áudio
Na gravação entregue à polícia, o treinador tenta justificar suas ações alegando ter interpretado de forma equivocada o tratamento recebido de uma aluna de Jundiaí (SP).
“Nenhuma coisa pode justificar o meu comportamento. Eu, como líder, não poderia ter tido esse comportamento com a sua filha. Mas eu queria também falar que, de verdade, eu nunca planejei isso”, afirma o suspeito em um trecho do áudio.
Mesmo reconhecendo que a jovem não teve culpa, ele argumenta que o comportamento dela o levou a crer que existia algo além da relação professor e aluno.
Tentativa de acordo e ofertas financeiras
Além do pedido de desculpas, Melqui Galvão tentou impedir que o caso chegasse às autoridades oferecendo custear viagens internacionais e bancar despesas da carreira da atleta.
- Compensação: Ele sugeriu pagar passagens e estadias para o Mundial de Jiu-Jitsu.
- Afastamento: Prometeu manter distância física e não viajar nos mesmos voos que a vítima.
- Apelo Extremo: Em um momento de maior tensão no áudio, o treinador chega a sugerir que a família poderia decidir seu destino, mencionando até a simulação de um crime contra a própria vida caso eles não aceitassem o pedido de desculpas.
A investigação
O caso é conduzido pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). A investigação tomou corpo após uma adolescente de 17 anos relatar abusos ocorridos durante uma competição no exterior. Atualmente morando nos Estados Unidos, a jovem e seus familiares prestaram depoimento e apresentaram as provas.
A partir dessa denúncia, a polícia identificou outras duas vítimas em estados diferentes. Um dos relatos aponta que os abusos teriam começado quando uma das alunas tinha apenas 12 anos.
Além da prisão em Manaus, a polícia cumpriu três mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao treinador em Jundiaí. A corporação agora trabalha para identificar se existem outras vítimas que ainda não se manifestaram.
Melqui Galvão é uma figura de destaque no cenário mundial das artes marciais e pai do lutador Mica Galvão. Até o momento, a defesa do treinador não se manifestou publicamente sobre as acusações.

Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.







