Prefeitura confirma, menina de 11 anos morre de doença de chagas após consumir açaí

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O silêncio nos corredores da UTI de um hospital particular em Belém foi rompido por uma notícia que Ananindeua temia receber. Após quase duas semanas de luta, uma menina de 11 anos tornou-se o rosto mais recente de uma tragédia silenciosa, confirmada pela Prefeitura como a quarta vítima fatal da doença de Chagas no município.

O diagnóstico da Secretaria Municipal de Saúde não deixou dúvidas: o quadro da criança evoluiu para uma insuficiência cardíaca, o estágio mais crítico e cruel da infecção. Na memória da família, restou a lembrança de um consumo de açaí na própria cidade; no presente, a angústia se estende ao irmão da vítima, um garoto de apenas 5 anos que já manifesta os sintomas da doença.

Um Surto sob Vigilância

O cenário na região é de alerta máximo. Desde dezembro, as autoridades monitoram uma curva crescente que já soma 40 casos. O que começou com 26 pacientes no fim do ano passado ganhou corpo com mais 14 confirmações em janeiro — mês em que todas as quatro mortes foram registradas.

Na última sexta-feira, o Ministério da Saúde elevou o tom: a situação em Ananindeua foi oficialmente classificada como um surto. A principal suspeita é a transmissão oral, o que desencadeou uma força-tarefa envolvendo:

  • Investigação epidemiológica rigorosa dos casos.
  • Assistência direta aos pacientes infectados.
  • Fiscalização sanitária em toda a cadeia de produção e venda de alimentos.

O Perigo no Alimento

O infectologista Alessandre Guimarães explica que o inimigo é o protozoário Trypanosoma cruzi. No contexto paraense, o perigo muitas vezes se esconde no preparo do açaí. Sem as medidas sanitárias adequadas, o fruto pode ser contaminado, transformando um símbolo da cultura local em um vetor de risco.

Enquanto o Instituto Evandro Chagas oferece apoio técnico e as Unidades Básicas de Saúde (UBS) permanecem de prontidão para oferecer o tratamento gratuito pelo SUS, a prefeitura reforça um apelo à população. O surto exige que comerciantes adotem boas práticas sanitárias e que consumidores redobrem a atenção sobre a procedência do que chega à mesa.