
A Polícia Civil do Estado de São Paulo deflagrou na manhã desta terça-feira (17 de março) a Operação Ouro Branco, uma ação coordenada para desarticular uma quadrilha especializada em furtos de cargas de açúcar e farelo de soja em trens que circulam pelo interior paulista. A operação resultou na prisão de quatro pessoas e no cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão no município de Aguaí, reunindo 29 policiais da Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (Divecar) do Departamento de Investigações Criminais (Deic).
Segundo as investigações policiais, o esquema criminoso funcionava de forma sofisticada e audaciosa. Os integrantes da quadrilha acessavam vagões de trens em movimento, lançavam os produtos roubados para fora das composições ferroviárias e, posteriormente, revendiam a mercadoria no mercado utilizando notas fiscais falsas. As cargas furtadas pertenciam à concessionária Ferrovia Centro-Atlântica S.A. (FCA/VLI) e eram destinadas ao Porto de Santos para exportação, o que representa perdas significativas tanto para a empresa quanto para o setor exportador brasileiro.
Prejuízos milionários em dois anos
Os números revelam a magnitude do problema enfrentado pelas operações ferroviárias no estado. De acordo com as informações divulgadas pela polícia, os “surfistas” de trens, como ficaram conhecidos os criminosos pela forma como acessavam os vagões em movimento, causaram prejuízos estimados em R$ 13 milhões em um período de apenas dois anos. Este valor expressivo evidencia não apenas a frequência dos roubos, mas também a quantidade significativa de produtos desviados do fluxo comercial legítimo.
A operação representa um avanço importante no combate a este tipo de crime, que vinha afetando sistematicamente o transporte ferroviário de commodities no interior de São Paulo. A ação coordenada envolveu a apreensão de diversos bens utilizados na operação criminosa, incluindo três automóveis, um caminhão, uma motocicleta e sacos utilizados especificamente no transporte da carga furtada. Os agentes também apreenderam simulacros de armas durante as diligências.
Modus operandi
O método utilizado pela quadrilha demonstra conhecimento técnico sobre as operações ferroviárias e as vulnerabilidades dos trens em movimento. A capacidade de acessar vagões durante o trajeto, retirar produtos de alto valor agregado e conseguir escoá-los posteriormente através de documentação fraudulenta aponta para uma organização criminosa bem estruturada, com divisão de tarefas e canais de distribuição estabelecidos.
A utilização de notas fiscais falsas para a revenda dos produtos roubados indica que o esquema não se limitava apenas ao roubo, mas envolvia também atividades de falsificação de documentos e comercialização fraudulenta. Este aspecto do crime prejudica não apenas os proprietários diretos das cargas, mas também compromete a integridade das operações comerciais e do sistema tributário.
Impacto na Cadeia Exportadora
Os produtos furtados – açúcar e farelo de soja – são commodities de grande relevância para a economia brasileira e para as exportações do país. O desvio dessas cargas afeta diretamente as operações das empresas exportadoras, compromete contratos internacionais e prejudica a reputação do Brasil como fornecedor confiável desses produtos nos mercados externos. O fato de as cargas serem destinadas ao Porto de Santos, principal porto de exportação do país, reforça a importância estratégica do combate a estes crimes.
A Operação Ouro Branco representa um passo significativo no enfrentamento da criminalidade ferroviária no estado de São Paulo. A ação conjunta entre diferentes divisões da Polícia Civil, com o envolvimento de 29 agentes especializados em investigações de furtos e receptação de cargas, demonstra o comprometimento das autoridades em desarticular esquemas criminosos organizados.
As prisões temporárias permitirão que a polícia aprofunde as investigações e identifique possíveis conexões com outras atividades ilícitas. A apreensão de bens e documentos fornecerá pistas valiosas sobre a estrutura completa da quadrilha, incluindo possíveis envolvimentos de outras pessoas que não foram presas na operação inicial.
A continuidade das investigações pode revelar novos detalhes sobre como o esquema funcionava, quem eram os receptadores das cargas roubadas e se existiam conexões com outras organizações criminosas atuantes na região. As autoridades permanecem vigilantes para prevenir futuros incidentes e garantir a segurança do transporte ferroviário de cargas no interior de São Paulo.

Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.





