
A morte de Julyene Lima dos Santos, de 26 anos, em Hortolândia, no interior de São Paulo, reacendeu o debate sobre a violência doméstica no estado. A jovem foi morta a golpes de faca pelo companheiro, José Felipe Pereira de Sousa, também de 26 anos, na tarde do sábado (14 de março), no bairro Jardim Nova Europa. O suspeito permanece foragido e é procurado pela polícia.
De acordo com informações divulgadas pela polícia local, a discussão entre o casal começou em uma barraca de feira, onde Julyene vendia verduras aos fins de semana. Exaltado, José Felipe teria seguido a companheira até a residência da família, onde a filha de apenas 4 anos da vítima se encontrava. Testemunhas relataram que a briga evoluiu para proporções maiores dentro da casa, momento em que vizinhos perceberam que algo grave estava acontecendo.
Criança pede ajuda após presenciar agressão
A situação se tornou crítica quando a filha da vítima, assustada e desesperada, correu para fora da residência pedindo ajuda aos vizinhos. O chamado de socorro da criança alertou a comunidade sobre a gravidade da situação que ocorria dentro do imóvel. Após esfaquear Julyene múltiplas vezes, José Felipe deixou o local precipitadamente, deixando a vítima gravemente ferida.
A jovem foi socorrida e encaminhada para atendimento médico de emergência, mas não resistiu aos ferimentos provocados pelas facadas. Julyene morreu ainda durante o atendimento hospitalar, ceifando a vida de uma mulher que deixa uma filha pequena órfã de mãe.
Suspeito sofre acidente na fuga
Após deixar a cena do crime, José Felipe dirigiu-se para a Rodovia Anhanguera em direção a Vinhedo, onde seu veículo capotou. O acidente não impediu que o suspeito continuasse sua fuga. Após o capotamento, o rapaz abandonou o carro e desapareceu, tornando-se foragido e dificultando o trabalho das autoridades na sua captura.
A polícia iniciou buscas intensivas pelo suspeito, que permanecia desaparecido até a última atualização das informações. O caso foi imediatamente classificado como feminicídio, categoria que designa crimes de homicídio cometidos contra mulheres por razões de gênero ou em contexto de violência doméstica.
Classificação como feminicídio reforça problema estrutural
A caracterização do crime como feminicídio não é meramente burocrática. Ela reflete a realidade de que mulheres continuam sendo vítimas de violência letal em ambientes que deveriam ser seguros: suas próprias casas, ao lado de seus parceiros. O caso de Julyene se insere em um padrão preocupante de violência doméstica que afeta milhares de mulheres brasileiras anualmente.
O contexto do crime também revela vulnerabilidades que muitas mulheres enfrentam. Julyene trabalhava informalmente em uma barraca de feira para complementar a renda familiar, enquanto criava sua filha pequena. Sua morte deixa questões abertas sobre as redes de proteção disponíveis para mulheres em situações de risco e sobre como a sociedade pode melhor intervir em relacionamentos abusivos antes que tragédias ocorram.
Investigação em andamento
As autoridades policiais de Hortolândia continuam suas operações para localizar e prender José Felipe Pereira de Sousa. A fuga do suspeito e o acidente subsequente sugerem que ele pode estar ferido, o que pode facilitar sua localização caso procure atendimento médico em hospitais da região.
O caso também levanta questões sobre a resposta institucional a crimes de violência doméstica. A presença da filha pequena durante o crime adiciona uma camada de trauma ao incidente, afetando não apenas a comunidade, mas também uma criança que perdeu sua mãe de forma violenta.

Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.







