Moradores de São Roque gastam R$ 2 mil por mês com pedágio free flow no km 48 da Raposo

A instalação do sistema free flow no km 48,9 da Raposo Tavares transformou o direito de ir e vir em um custo fixo que chega a R$ 2 mil mensais para famílias locais. Enquanto o governo aplica reajustes, a promessa de mudança de local segue sem confirmação oficial.

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Prefeita Garante Que Não Vai Ter Cobrança De Pedágio Free Flow Entre Mairinque E Alumínio
Foto Ilustração Da Manchate, Não É O Real Trecho.

O que antes era o trajeto rotineiro para a padaria, escola ou trabalho tornou-se uma fonte de angústia financeira para os moradores entre os quilômetros 46 e 50 da Rodovia Raposo Tavares. Desde outubro de 2025, a implementação do pórtico de cobrança automática ( pedágio free flow) pelo Governo do Estado de São Paulo criou uma barreira invisível, mas extremamente onerosa, para quem vive às margens da pista.

O peso no orçamento familiar

Diferente das praças de pedágio convencionais, que permitiam rotas alternativas por dentro de bairros ou cidades vizinhas, o sistema atual captura a placa do veículo em um ponto estratégico, impossibilitando o desvio. Para Elias Issa, morador do Alto da Serra (km 50) há oito anos, a cobrança é sentida como um “pedágio punitivo”.

Com quatro filhos e rotinas distintas, Elias viu seus gastos saltarem para R$ 2 mil mensais. “Qualquer rotina, seja trabalho ou levar os filhos na escola, custa no mínimo R$ 10”, relata. A situação é similar para o casal Gabriel Costa e Carla Gomes, moradores do Recanto Flora. Passando pelo pórtico até seis vezes ao dia, o custo mensal da família ultrapassa os R$ 1,2 mil.

“Já não basta o preço do combustível, IPVA e IPTU. Um pedágio na porta de casa inviabiliza a vida”, desabafa Gabriel.

Reajuste e Tarifa

A situação agravou-se nesta segunda-feira (30), quando a Artesp autorizou um aumento de 4,44% nas tarifas. Em São Roque, o valor subiu para R$ 5,30 por sentido. O aumento atinge todos os pórticos das rodovias Castello Branco e Raposo Tavares, impactando também usuários de Sorocaba, Alumínio e Araçoiaba da Serra.

Em fevereiro de 2026, o prefeito de São Roque, Guto Issa (PSD), anunciou em suas redes sociais um acordo com o governador Tarcísio de Freitas para o retorno da cobrança ao km 46 (local da antiga praça física). A mudança resolveria o problema dos moradores locais, que deixariam de ser tarifados em seus deslocamentos internos.

No entanto, o anúncio ainda carece de segurança jurídica e técnica:

  • Artesp: Questionada desde fevereiro, a agência reguladora ainda não confirmou oficialmente o retorno ao km 46.
  • Prefeitura: Afirma que a decisão é fruto de diálogo, mas transfere os detalhes da obra para o Estado.
  • Isenções: Um cadastro de 1.200 moradores feito em 2025 para tentar isenções foi deixado de lado pela administração municipal, sob a justificativa de que a mudança de local do pórtico tornaria o benefício desnecessário.

Enquanto as obras prometidas não começam e os órgãos oficiais divergem sobre prazos, a população segue arcando com o custo elevado. Para muitos, a liberdade de sair de casa agora tem um preço fixo e crescente, gerando dívidas e alterando permanentemente o custo de vida na região da Serra de São Roque.