Mãe vai visitar filho em hospital em Sorocaba e descobre que ele foi levado repentinamente para presídio

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Mãe Vai Visitar Filho Em Hospital Em Sorocaba E Descobre Que Ele Foi Levado Repentinamente Para Presídio

A cozinheira Eliana Chaves Ribeiro vive uma sequência de angústias desde que seu filho, de 25 anos, foi brutalmente agredido. No sábado, 4 de outubro, ao chegar ao Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) para visitá-lo, foi surpreendida com a informação de que ele havia sido transferido pela polícia penal — sem qualquer aviso prévio sobre o destino.

“Entrei em desespero. Meu filho está com pontos cirúrgicos no abdômen, pneumonia e usa bolsa de colostomia. As enfermeiras também ficaram perplexas com a alta hospitalar, considerando o estado crítico dele. Passei o dia tentando contato com a Penitenciária de Capela do Alto e o CDP de Sorocaba. Só no fim da tarde consegui falar com alguém no CDP, que confirmou que ele estava lá”, relatou Eliana.

O jovem foi vítima de um ataque violento na madrugada de 18 de setembro, em uma área de mata no Jardim Nathália, bairro Éden, próximo à residência da família. Segundo o único boletim médico fornecido pelo CHS, ele sofreu lesões múltiplas causadas por empalamento anal com uma vara de bambu. Foi intubado e passou por cirurgia abdominal. A família acredita na versão do rapaz, que acusa agentes da Força Tática de terem cometido o crime.

Ariel de Castro Alves, advogado e integrante do Grupo Tortura Nunca Mais e da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, afirma que os indícios apontam para um caso de tortura — crime considerado hediondo. Ele também alerta para a superlotação dos Centros de Detenção Provisória (CDPs) no estado, que operam com até três vezes sua capacidade.

“As unidades prisionais não têm estrutura para abrigar pessoas em estado de saúde delicado. O risco de infecções e agravamento clínico é alto. As enfermarias são salas pequenas, voltadas apenas para cuidados básicos, como limpeza de feridas e distribuição de analgésicos. Não há equipe de enfermagem em plantão, e presos com bolsas de colostomia acabam em celas comuns”, explica Ariel.

Essas condições, segundo ele, violam a Constituição Federal, que proíbe práticas cruéis, desumanas e degradantes. A Lei de Execução Penal também determina que o Estado deve garantir atendimento médico adequado e preservar a integridade física dos detentos.

O advogado da família, Thiago Gomes, da Mazoni & Gomes Advocacia, reforça que os direitos constitucionais e legais dos presos estão sendo ignorados. “Na madrugada de segunda-feira (6), conseguimos a prisão domiciliar em um dos processos. Esperamos resposta sobre outro até sexta-feira (10). Conversei pessoalmente com o juiz, mas o promotor se opôs, alegando risco de fuga. No CDP, não há medicamentos nem bolsas de colostomia — a família precisou comprar e levar”, lamenta.

Thiago ainda ressalta que, se o paciente estivesse em uma instituição privada, dificilmente teria recebido alta médica.

Brevemente o Correio do Interior, entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) que informou que:

“A Polícia Militar investiga todos os aspectos do caso por meio de procedimento interno, com supervisão da Corregedoria. Paralelamente, o 6º Distrito Policial de Sorocaba conduz apurações. A mãe da vítima já prestou depoimento à Polícia Civil, que segue com diligências para esclarecer os fatos e responsabilizar os envolvidos.”