O cotidiano de quem trabalha com a imagem e a comunicação costuma ser pautado pela naturalidade dos gestos, sorrisos e expressões. No entanto, para o jornalista Gustavo Netto, apresentador da TV TEM — emissora afiliada à Rede Globo na região de Sorocaba e Jundiaí —, a percepção dessas pequenas ações mudou drasticamente após um diagnóstico que “congela” parte do rosto: a Paralisia de Bell.
A condição, uma inflamação no nervo facial central localizado atrás da orelha, atinge cerca de 60 mil brasileiros todos os anos. No caso de Gustavo, o sinal de alerta veio durante uma ação banal de sua rotina matinal: tomar uma xícara de café.
O Susto Inicial
“Na hora, senti que alguma coisa não estava bem. Não tinha dor, nada assim. Tentei de novo [beber o café] e aconteceu a mesma coisa”, relembra o jornalista. Ao retornar para casa e olhar-se no espelho, o diagnóstico visual foi imediato. “Foi fácil perceber: boca torta, olho caído… o lado esquerdo do rosto estava paralisado.”
O primeiro temor, comum em episódios de perda súbita de movimentos faciais, foi o de estar sofrendo um Acidente Vascular Cerebral (AVC). No hospital, contudo, a equipe médica descartou o derrame e identificou a Paralisia de Bell.
Diferente do AVC — onde o paciente costuma perder as funções de metade de todo o corpo (incluindo braço e perna) —, a Paralisia de Bell atua diretamente no nervo facial, fazendo com que ele inche e fique comprimido dentro do canal ósseo. Na maioria esmagadora dos cenários (99% dos casos), ela se manifesta de forma unilateral.
A rotina de reabilitação e os desafios emocionais
Acometido pela paralisia há pouco mais de 100 dias, Gustavo compartilha que o início do tratamento trouxe barreiras complexas, tanto físicas quanto psicológicas.
“O simples deixou de existir. Eu não piscava, não fechava o olho, não conseguia segurar água na boca, mastigar… Para dormir, precisava usar tampão e fechar o olho com o dedo. Até tomando água no canudo eu babava”, descreve o apresentador.
A recuperação da doença exige paciência e o envolvimento de uma equipe multidisciplinar. Para reabilitar as fibras musculares do rosto e fazê-las “acordar”, o jornalista mantém uma rotina intensa que inclui fisioterapia, acompanhamento fonoaudiológico, sessões de acupuntura e psicoterapia. Segundo especialistas, quanto mais rápido for o diagnóstico e o início dos estímulos, maior é a chance de reverter o quadro — estatísticas apontam que oito em cada dez pacientes recuperam os movimentos de forma total.
Informação como ferramenta
Após enfrentar o período mais crítico do tratamento, Gustavo começa a notar os primeiros sinais de melhora. “Agora, depois de mais de 100 dias, os movimentos começam a voltar e vem também uma sensação de leveza. O maior medo sempre foi não retornar”, desabafa.
Para lidar com a situação e, ao mesmo tempo, quebrar o tabu sobre o tema, o apresentador usou sua própria profissão como aliada na conscientização. Ele produziu uma reportagem especial para a TV TEM detalhando as causas, os sintomas e os caminhos para o tratamento da doença. “Receber apoio dos amigos, da família e das pessoas… é uma medicação e tanto”, conclui.
Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.


