Irmão de são-roquense que morreu em cirurgia bariátrica clama por explicação de médico

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Irmão De São-Roquense Que Morreu Em Cirurgia Bariátrica Clama Por Explicação De Médico

A família de Elisângela Pereira Leite, de 48 anos, moradora de São Roque, clama por respostas após seu falecimento em 18 de novembro, no Hospital São Francisco de Cotia. A morte ocorreu após uma série de complicações decorrentes de uma cirurgia bariátrica realizada no hospital, segundo os familiares.

A vítima havia sido submetida ao procedimento no dia 2 de outubro de 2025, conduzido pelo médico-cirurgião Dr. Fábio Recioli. Segundo o relato de Gilberto Pereira Leite, irmão da paciente, a cirurgia não tinha fins estéticos, mas sim de saúde.

Histórico de complicações e reinternações

De acordo com o depoimento familiar, Elisângela apresentou complicações imediatas. Ela passou dias na UTI e recebeu alta em 6 de outubro, ainda portando um dreno que liberava uma secreção escura e fétida.

A paciente foi reavaliada em 14 de outubro e, em 16 de outubro, precisou ser novamente internada para uma laparotomia exploradora, após uma tomografia constatar acúmulo de líquido no abdômen, um quadro que o cirurgião atribuiu a uma “fístula”. A família afirma que não recebeu explicações claras sobre a necessidade da reabordagem cirúrgica.

Em 6 de novembro, após semanas de internação, Elisângela foi submetida a uma terceira laparotomia exploradora, desta vez sem que a família fosse previamente comunicada. Ela retornou à UTI com múltiplos drenos (dois abdominais e um de tórax) e em estado debilitado, sem conseguir se comunicar.

Falta de esclarecimentos e óbito

A família relata que o Dr. Fábio Recioli não prestou os devidos esclarecimentos durante as complicações. Em um contato posterior, o médico teria minimizado o quadro, referindo-se aos problemas como uma “complicaçãozinha”, e afirmou estar acompanhando o caso remotamente, sem visitas presenciais à UTI.

Na semana do óbito, em 13 de novembro, a equipe da UTI sugeriu uma nova entubação para controlar a infecção e poupar os pulmões da paciente, mas ela se recusou. Contudo, em 14 de novembro, os filhos encontraram Elisângela já entubada.

O falecimento ocorreu na madrugada de terça-feira (18). O horário do óbito foi 1h da manhã, mas a família só foi notificada por volta das 10h, sob a alegação do hospital de que não possuíam o contato dos familiares, embora a paciente estivesse internada há mais de um mês e recebia visitas diárias de Mairinque a Cotia.

Recusa de documentos e causa da morte

Ao chegarem ao hospital, os familiares não receberam explicações detalhadas e tiveram a entrega do prontuário médico negada.

O atestado de óbito, assinado por um médico da UTI e não pelo cirurgião Dr. Fábio Recioli, aponta como causa da morte: choque séptico, infecção de foco abdominal e laparotomia exploradora. O documento não menciona a cirurgia bariátrica, o procedimento inicial, o que intensificou as dúvidas da família sobre a sequência de eventos.

O corpo de Elisângela Pereira Leite foi sepultado no dia 19 de novembro no cemitério do Cambará, em São Roque.

Posição dos envolvidos

O irmão da vítima, Gilberto Pereira Leite, utilizou as redes sociais para relatar o caso e acusar o Dr. Fábio Recioli de ter conduzido um procedimento mal elaborado que resultou na morte de Elisângela.

O Jornal Correio do Interior tentou contato com o Dr. Fábio Recioli e com o Hospital São Francisco para obter suas versões sobre os fatos, mas não obteve retorno até o momento da publicação. O jornal mantém o espaço aberto para manifestações de ambas as partes.

A família estuda levar o caso ao conhecimento da Polícia Civil para que as circunstâncias da morte sejam apuradas, buscando justiça e prevenção contra possíveis futuras negligências.