
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu procedimento para investigar possível descumprimento da Lei Municipal nº 11.882, de 2019, que regulamenta a obrigatoriedade de cabeamento subterrâneo em novas construções na cidade de Sorocaba. A denúncia, formalizada pela vereadora Iara Bernardi (PT), autora da própria legislação, questiona a autorização municipal para o “Complexo Urbano Ecivitas Alteza”, localizado na Avenida Professor Milton Almeida dos Santos, zona oeste da cidade, sem a exigência de redes subterrâneas de energia e telecomunicações.
Segundo informações do G1, o promotor de Justiça Jorge Marum, responsável pela apuração, já sinalizou que o Executivo municipal será questionado sobre o caso nos próximos dias. A investigação marca mais um capítulo na discussão sobre a implementação de infraestrutura urbana moderna em Sorocaba, particularmente quanto ao cumprimento de normas ambientais e urbanísticas.
O contexto da legislação e a denúncia
A Lei Municipal nº 11.882, sancionada em 2019, representa um marco regulatório importante para a modernização da infraestrutura urbana de Sorocaba. A legislação estabelece que novos empreendimentos imobiliários devem obrigatoriamente incorporar sistemas de cabeamento subterrâneo para redes de energia e telecomunicações, eliminando a necessidade de postes e fiações aéreas que caracterizam a paisagem urbana tradicional.
A vereadora Iara Bernardi, que protagonizou a aprovação dessa lei, apresentou a denúncia após constatar que o licenciamento do Complexo Urbano Ecivitas Alteza não incluía a exigência de adequação às normas estabelecidas. O empreendimento, situado em uma região em desenvolvimento da zona oeste sorocabana, teria recebido aprovação municipal sem que os requisitos legais fossem impostos aos responsáveis pelo projeto.
Implicações da investigação
A abertura do procedimento pelo MP-SP evidencia tensões entre diferentes esferas da administração municipal no que diz respeito à fiscalização e cumprimento de legislação ambiental e urbanística. A investigação levanta questões sobre os critérios utilizados pela Prefeitura de Sorocaba na análise de projetos de novos empreendimentos e sobre possíveis falhas nos processos de licenciamento.
O cabeamento subterrâneo representa uma solução moderna para a infraestrutura urbana, oferecendo vantagens que vão além da estética. Essa tecnologia reduz riscos de acidentes com a população, melhora a segurança em períodos de tempestades e facilita a manutenção das redes. Além disso, contribui para uma melhor organização do espaço urbano, permitindo que as vias públicas apresentem uma aparência mais limpa e organizada.
Perspectivas futuras
O promotor de Justiça Jorge Marum indicou que questionamentos formais serão direcionados ao Executivo municipal em breve. Essas indagações provavelmente buscarão esclarecer os motivos pelos quais a exigência de cabeamento subterrâneo não foi aplicada no caso do Complexo Urbano Ecivitas Alteza, bem como investigar se houve outras aprovações similares que descumpriram a legislação municipal.
A investigação também pode resultar em recomendações para que a Prefeitura de Sorocaba implemente mecanismos mais rigorosos de fiscalização e cumprimento da Lei nº 11.882 em futuras aprovações de empreendimentos imobiliários. Tal medida poderia evitar situações semelhantes e garantir que a legislação seja aplicada de forma uniforme e equitativa a todos os projetos submetidos à aprovação municipal.
Considerações finais
O caso do Complexo Urbano Ecivitas Alteza ilustra desafios comuns enfrentados por municípios brasileiros na implementação de legislação ambiental e urbanística. A denúncia formalizada pela vereadora Iara Bernardi e a consequente investigação do MP-SP representam mecanismos importantes de accountability, garantindo que as leis aprovadas pela Câmara Municipal sejam efetivamente cumpridas pela administração pública.
A resolução dessa investigação poderá estabelecer precedentes importantes para Sorocaba, reforçando o compromisso com modernização de sua infraestrutura urbana e demonstrando que a legislação ambiental e urbanística não é apenas simbólica, mas efetivamente aplicável aos empreendimentos desenvolvidos no município. Aguarda-se, portanto, os desdobramentos da apuração conduzida pelo Ministério Público de São Paulo.

Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.







