Investigação da PF expõe promessa vazia de fábrica de remédio genérico em Sorocaba

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A promessa de trazer inovação farmacêutica e geração de empregos para Sorocaba desapareceu tão rapidamente quanto surgiu. Um dos sócios da empresa Unikka Pharma, o médico Derek Camargo, tornou-se alvo de investigação da Polícia Federal por produção e venda clandestina de medicamentos para emagrecer, levando a farmacêutica a desistir do ambicioso projeto anunciado para a cidade. O caso expõe não apenas questões de segurança farmacêutica, mas também revela fragilidades no processo de atração de investimentos e na verificação de credibilidade de empresas que fazem promessas públicas aos municípios.

Segundo informações do G1, Derek Camargo teve seus veículos apreendidos em abril de 2026 durante a segunda fase da Operação Slim, conduzida pela Polícia Federal. A operação investiga a produção clandestina de medicamentos controlados, em uma ação que evidencia a crescente preocupação das autoridades com a fabricação ilegal de fármacos de alto valor agregado no mercado brasileiro.

O Anúncio que Mobilizou a Cidade

Em setembro de 2024, a promessa de instalação da fábrica gerou grande entusiasmo em Sorocaba. A empresa anunciava um investimento de R$ 60 milhões e a criação de 300 empregos diretos no Parque Tecnológico da cidade. O anúncio foi celebrado publicamente, com a participação do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) em evento da empresa, momento em que o gestor entregou uma placa de homenagem aos representantes da Unikka Pharma. O prefeito chegou a anunciar que distribuiria o medicamento na cidade, transformando Sorocaba em referência nacional na produção de um genérico de medicamento para emagrecimento de alta demanda.

A promessa era particularmente atrativa para uma cidade em busca de diversificação econômica e atração de indústrias de tecnologia. O Parque Tecnológico de Sorocaba, que já abriga diversos empreendimentos, seria o local escolhido para a instalação da fábrica, reforçando a imagem da cidade como polo de inovação no interior paulista.

A Realidade que Emergiu

Porém, a realidade mostrou-se muito diferente das promessas feitas. A Prefeitura de Sorocaba confirmou que a farmacêutica desistiu de construir a fábrica no Parque Tecnológico. A decisão ocorreu após a investigação da Polícia Federal ganhar visibilidade pública, expondo os problemas legais enfrentados por um dos principais sócios da empresa. Derek Camargo, que havia sido a face pública do projeto em Sorocaba, agora enfrenta acusações de envolvimento em atividades criminosas ligadas à produção não autorizada de medicamentos.

A investigação revela um padrão preocupante: enquanto a empresa prometia estabelecer operações legais e regulamentadas em Sorocaba, paralelamente seus dirigentes estariam envolvidos em produção clandestina de medicamentos para emagrecer. Esse contraste entre o discurso público de legalidade e as atividades investigadas pela Polícia Federal levanta questões críticas sobre a verificação de antecedentes e a credibilidade de empresas que procuram os municípios oferecendo grandes investimentos.

Impacto para Sorocaba

Para a administração municipal, o episódio representa um constrangimento político. O prefeito Rodrigo Manga havia se colocado como promotor do projeto, participando de eventos da empresa e fazendo anúncios públicos sobre distribuição do medicamento. A desistência da empresa e a investigação criminal contra seu sócio prejudicam a imagem da gestão municipal e levantam questionamentos sobre os processos de due diligence utilizados na atração de investimentos.

Os 300 empregos prometidos não se materializarão. O investimento de R$ 60 milhões não chegará a Sorocaba. E a oportunidade de posicionar a cidade como centro de produção de medicamentos inovadores desapareceu, deixando apenas a lembrança de promessas não cumpridas.

Defesa em Silêncio

Procurada pelo G1, a defesa do médico e empresário Derek Camargo preferiu não se manifestar sobre o caso. Essa postura de silêncio é frequente em investigações criminais, mas reforça a falta de transparência que cercou todo o processo desde o início.