Investigação apura se PM matou colega em Sorocaba para forjar cena do crime

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Quem Era O Policial Morto Durante Confronto Após Assalto Em Sorocaba

A Polícia Civil de São Paulo abriu uma linha de investigação rigorosa para apurar as circunstâncias da morte do soldado da Polícia Militar Matheus Almeida Rodrigues, ocorrida no último sábado (11), durante uma perseguição em Sorocaba. O que inicialmente foi tratado como um confronto com criminosos, agora ganha contornos de um possível erro operacional grave e fraude processual.

O inquérito conduzido pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) foca em três pontos centrais que colocam em xeque a conduta dos agentes envolvidos:

  1. Fogo Amigo: Perícias preliminares sugerem que o projétil que vitimou o soldado Rodrigues pode ter partido da arma de um colega de farda durante a confusão da abordagem.
  2. Cena Forjada: Investiga-se se houve manipulação do local do crime e a utilização de armas irregulares (“armas frias”) para simular uma troca de tiros que justificasse a letalidade da ação.
  3. Execução: Além da morte do PM, a polícia apura se as mortes de três suspeitos de roubo de medicamentos foram, de fato, resultado de legítima defesa.

Afastamento dos policiais

Como medida imediata, 11 policiais militares que participaram da ocorrência foram retirados das ruas e permanecem sob monitoramento da Corregedoria da PM e da Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP).

Um fator crítico dificulta o esclarecimento rápido: nenhum dos policiais utilizava câmeras corporais no momento da ação. Sem as imagens das fardas, os investigadores dependem agora de:

  • Análise de câmeras de monitoramento privadas e públicas da região.
  • Confronto de depoimentos dos agentes e do único suspeito sobrevivente.
  • Laudos de balística e perícia de trajetória de tiro.

Desdobramentos jurídicos

O caso corre em duas frentes paralelas. Enquanto a Deic apura a esfera criminal comum, um Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado para analisar as transgressões disciplinares e crimes militares.

A morte do soldado Rodrigues, que deveria ser mais uma baixa no combate ao crime organizado, tornou-se um símbolo da necessidade de transparência nas operações policiais do estado. A SSP-SP informou, em nota, que “não tolera desvios de conduta e que o rigor da lei será aplicado caso as irregularidades sejam confirmadas”.