
A tarde de terça-feira em Sorocaba não era apenas mais um dia de chuva forte, mas o cenário de um drama que quase terminou em tragédia no Jardim Saira. Enquanto as nuvens carregadas despejavam um volume de água capaz de paralisar a cidade, a Rua Ministro Salgado Filho transformava-se em um rio caudaloso, escondendo perigos sob a superfície barrenta. Foi nesse cenário que uma jovem, ao tentar atravessar a via, viu-se subitamente à mercê da força da natureza.
O incidente começou quando a pedestre tropeçou em uma vala aberta pela erosão, um buraco que a força da enxurrada havia camuflado. O equilíbrio perdido foi o estopim para que a correnteza a arrastasse. A poucos metros dali, Anderson de Almeida, de 36 anos, observava a cena com apreensão. Ele havia encostado seu carro do outro lado da rua, temendo que o nível da água danificasse o motor, e monitorava a intensidade da tempestade quando percebeu que a jovem não conseguiria cruzar o trecho em segurança.
Ao notar que ela havia caído e começava a ser levada, Anderson não hesitou. Em um gesto instintivo de socorro, livrou-se do celular, dos tênis e das meias e correu em direção ao perigo. A jovem conseguiu se segurar momentaneamente em um veículo que passava pelo local; percebendo a gravidade da situação, o motorista freou o carro, servindo como uma barreira física improvisada para evitar que a enxurrada a carregasse definitivamente.
O resgate, registrado por testemunhas, tornou-se um esforço coletivo de bravura. Anderson contou com a ajuda de um motoboy e de outro rapaz que passava pelo local. Enquanto o grupo unia forças para içar a jovem contra o fluxo da água, Anderson coordenava os movimentos com o motorista do veículo parado, pedindo que ele avançasse centímetros de cada vez para liberar o pé da vítima, que havia ficado preso.
Para Anderson, que é pai, a motivação foi pessoal. Ao ver a fragilidade da moça diante da correnteza, ele enxergou os próprios filhos. O sentimento de alívio só veio quando conseguiu carregá-la para um ponto seguro, longe da calha da rua. Apesar do susto e de um ferimento no tornozelo, ela foi salva antes que o pior acontecesse.
O episódio no Jardim Saira foi o retrato mais dramático de um dia de caos em Sorocaba. A Defesa Civil já havia alertado para temporais, mas a realidade superou as previsões em diversos pontos. Na zona sul, as avenidas Washington Luiz e Barão de Tatuí tornaram-se intransitáveis, obrigando motociclistas a buscarem refúgio nas calçadas. Na zona norte, o volume de água na Avenida Ipanema foi tão severo que até uma ambulância do Samu ficou retida no fluxo.
Enquanto a cidade contabilizava os prejuízos — com quedas de árvores na Vila Lucy e outdoors retorcidos na Avenida General Carneiro —, os moradores do Jardim Saira permaneciam com o questionamento sobre a infraestrutura local. Segundo relatos de quem vive na região, a vala que causou a queda da jovem já existia antes do temporal, sem receber os devidos reparos. Até o fechamento desta edição, as autoridades municipais não haviam se manifestado sobre previsões de obras no trecho, enquanto o alerta de novas chuvas permanece vigente, mantendo a população em estado de vigilância.

Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.




