Gestora da Zona Azul em Mairinque contesta rescisão de contrato e alega falta de diálogo

Advertisements

Gestora Da Zona Azul Em Mairinque Contesta Recissão De Contrato E Alega Falta De Diálogo

Na última semana, o prefeito de Mairinque, Eduardo Thomaz, anunciou a rescisão de contrato com a empresa que fazia, até então, a gestão da Zona Azul na cidade, a Dinâmica Parking. Entretanto, a empresa responsável pelo sistema de estacionamento rotativo contesta a rescisão.

Os diretores da empresa, Tulio e Circeli, relataram em breve entrevista ao Correio do Interior, na tarde desta terça-feira (14/04), que consideram o rompimento unilateral do contrato uma ação sem fundamentos.

Segundo os diretores da empresa, a Prefeitura não deu nenhum comunicado prévio sobre o fato e, mesmo diante da situação, não houve uma explicação — motivo para tal situação —, o que afeta drasticamente o trabalho da empresa, bem como a questão do gerenciamento do estacionamento rotativo na cidade. Isso porque o pagamento para uso das vagas é revertido em arrecadação ao município.

Ao Correio do Interior, Tulio disse que teve conhecimento da rescisão com grande espanto, tendo em vista que a empresa estava apta legalmente e seguindo todos os trâmites do processo licitatório que deu direito à empresa de operar na cidade.

Ambos os diretores da empresa ainda destacaram que sempre buscaram diálogo com a prefeitura sobre as ações em torno da Zona Azul, a fim até mesmo de evoluir e elevar o trabalho na cidade, mas que nunca houve interesse da prefeitura, bem como de vereadores. Eles ressaltaram que sempre enviaram ofícios ao poder executivo municipal a fim de discutir assuntos relacionados à operação da cidade, para maior benefício dos moradores, mas que sempre seguiam sem resposta.

Outro ponto destacado por eles é um documento de 21 de novembro de 2024, em período de transição de governo municipal, no qual a atual gestão do prefeito Eduardo Thomaz reconheceu, em análise, que a empresa estava seguindo todos os trâmites legais e contratuais da licitação para seguir em operação. Assim, por ora, eles acharam estranho o rompimento do contrato sem causa justificada.

“Operamos mais de 22 anos em uma cidade próxima de Mairinque e mais outra cidade paulista, e o mesmo modelo que temos nessas duas cidades é o que foi aplicado em Mairinque; sempre seguindo as regras contratuais e nunca tivemos problemas, porque aqui seguimos buscando respostas com o prefeito sobre a ação.”

Tulio ainda destacou que apresentou uma ação para a Prefeitura de Mairinque para integrar as câmeras de monitoramento do veículo da Zona Azul com o sistema COI, para colaborar com a manutenção da ordem pública e policiamento, e até mesmo evitar ações de criminalidade, mas que a Prefeitura não demonstrou interesse ao caso, que não teria custo ao município.

Assim que a Prefeitura decidiu por rescindir o contrato, uma outra situação que chamou a atenção dos diretores foi que uma equipe da GCM, acompanhada dos secretários de Segurança Pública da cidade, Lineu Alberto, e o subsecretário, um tenente da reserva da Polícia Militar, José Roberto Salvador Filho, abordou uma funcionária da empresa que estava circulando com o carro em atividade de trabalho. Aplicaram uma multa ao veículo e constrangeram a funcionária em via pública pelo modo em que agiram, dizendo a ela que iriam levá-la para a delegacia caso não parasse de trabalhar e parasse o veículo.

Neste período, foi pontuado que nem era de conhecimento da empresa que o contrato havia sido rescindido; tiveram conhecimento depois que a funcionária ligou para a direção da empresa relatando a situação que havia passado.

Impasse jurídico

Por ora, a empresa Dinâmica Parking se defende alegando que:

  • Cumpre todas as obrigações contratuais vigentes.
  • A prefeitura rescindiu o vínculo sem oferecer direito ao contraditório ou apresentar uma justificativa clara.
  • O real problema em Mairinque seria a falta de repasse das autuações por parte da administração municipal, o que estaria gerando prejuízos aos cofres públicos (erário).
  • A direção da empresa ressaltou que possui 22 anos de experiência e boa avaliação em outras cidades da região, operando sob o mesmo modelo de gestão.

Os diretores e o setor jurídico da empresa seguem em tentativas de diálogo com a prefeitura.

A equipe de reportagem do Correio do Interior entrou em contato com a Prefeitura de Mairinque e com a Secretaria de Segurança Pública para obter esclarecimentos sobre os motivos da rescisão e sobre a conduta da GCM durante a abordagem, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.