
Uma operação que começou como investigação de fraude energética resultou na descoberta de uma sofisticada fábrica clandestina de cigarros em Salto, no interior de São Paulo. A operação, realizada na terça-feira (24), revelou uma estrutura consolidada de produção em larga escala, com equipamentos completos e até alojamento para os trabalhadores.
A descoberta ocorreu de forma acidental quando funcionários de uma companhia de energia compareceram ao galpão localizado no distrito industrial da cidade para verificar uma suspeita de ligação clandestina de eletricidade. Durante a vistoria, os técnicos estranharam o comportamento das pessoas que os atenderam e decidiram acionar a Polícia Militar. A ação rápida dos funcionários da concessionária provou ser crucial para desmantelar a operação ilegal.
Quando a Polícia Militar chegou ao local, os trabalhadores já haviam desaparecido. Segundo relatos, aproximadamente oito homens que operavam a fábrica fugiram para uma área de mata próxima ao galpão antes da chegada dos policiais. A suspeita é que a fuga tenha sido acionada logo após a visita dos técnicos da companhia elétrica, demonstrando que os operadores mantinham vigilância constante sobre possíveis invasões.
O capitão Danillo Andrade, em entrevista à TV TEM, descreveu a cena encontrada pelos policiais: “Eles têm uma estrutura bastante consolidada, com maquinário de produção em larga escala”. A operação revelou uma sofisticação impressionante na organização clandestina, com equipamentos que abrangem toda a cadeia produtiva, desde o processamento da matéria-prima até a embalagem final dos produtos.
Os números encontrados no local são significativos. A polícia apreendeu aproximadamente 40 mil pacotes de cigarros já produzidos, evidenciando o volume operacional da fábrica. Além do grande estoque de produtos acabados, foram encontradas máquinas para toda a linha de produção, indicando que a operação estava em plena capacidade de funcionamento quando foi descoberta.
Um aspecto particularmente revelador foi a descoberta de que o galpão servia não apenas como local de produção, mas também como alojamento permanente para os funcionários. A polícia encontrou quartos, sala e cozinha improvisados, todos com sinais de uso recente. Essa estrutura de moradia sugere que os trabalhadores viviam no local, possivelmente em condições de isolamento que facilitariam o controle sobre suas atividades e movimentações.
Outro detalhe importante foram as placas encontradas no interior do galpão com definição de equipes para cada turno e instruções operacionais. Significativamente, essas instruções estavam escritas em espanhol, o que sugere a possível participação de trabalhadores estrangeiros ou a origem da operação em estruturas criminosas baseadas em países latino-americanos.
Investigação em andamento
Até o momento da publicação das informações, nenhuma pessoa havia sido presa em conexão com a operação. A fuga bem-sucedida dos oito trabalhadores deixa questões em aberto sobre a investigação. As autoridades enfrentam o desafio de localizar os responsáveis pela operação e determinar a cadeia de comando e distribuição dos produtos clandestinos.
A descoberta da fábrica se insere em um contexto maior de combate ao contrabando e à produção ilegal de cigarros no Brasil. Essas operações clandestinas representam não apenas evasão fiscal, mas também potencial envolvimento com redes criminosas organizadas. O fato de a operação ter sido descoberta através de uma verificação de fraude energética ilustra como diferentes tipos de atividades ilegais frequentemente se entrelaçam.

Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.






