Delegada em São Paulo é presa por namorar integrante do PCC

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Delegada Em São Paulo É Presa Por Namorar Integrante Do Pcc

O que deveria ser o início de uma carreira promissora na Polícia Civil de São Paulo transformou-se em um enredo de investigação criminal digno de cinema. A delegada recém-empossada Layla Lima Ayub foi presa em uma operação que revelou uma face oculta de sua vida pessoal e profissional: o envolvimento direto com integrantes de facções criminosas, incluindo um relacionamento amoroso com uma liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A prisão ocorreu em 16 de janeiro, durante a Operação Serpens, que busca desarticular a infiltração do crime organizado nas esferas de poder público. O caso ganhou contornos dramáticos ao revelar que o namorado de Layla, Jardel Neto Pereira da Cruz, o “Dedel”, não apenas mantinha um vínculo afetivo com a autoridade policial, como chegou a prestigiar a cerimônia de posse da namorada na Academia de Polícia (Acadepol) em dezembro passado.

O Elo com o Crime Organizado

As investigações do Ministério Público de São Paulo (MPSP) apontam que Layla teria atuado como advogada para membros do Comando Vermelho (CV) mesmo após já ter assumido o cargo público, o que configura uma violação grave do estatuto da advocacia e das normas do funcionalismo. No entanto, o ponto central da acusação que a liga ao PCC reside em seu companheiro.

Jardel é apontado pelas autoridades como uma peça-chave na expansão da facção paulista pela região Norte do Brasil, área historicamente dominada por grupos rivais. Com um histórico de fugas e condenações, ele teria deixado o Pará sem autorização judicial para se estabelecer definitivamente em São Paulo ao lado da delegada. O casal foi detido em uma pensão, interrompendo planos que incluíam, inclusive, a compra de uma padaria na zona leste da capital.

Suspeita de Lavagem de Dinheiro

A tentativa de adquirir o estabelecimento comercial acendeu o alerta da Corregedoria da Polícia Civil e do Ministério Público. Os investigadores suspeitam que a transação seria uma fachada para a lavagem de dinheiro da facção.

Por outro lado, a defesa de Jardel nega as acusações de liderança criminosa. Segundo seus advogados, ele buscava uma “nova trajetória” e pretendia se ressocializar em solo paulista, alegando que a mudança de estado ocorreu devido a ameaças que sofria em sua terra natal. Sobre a padaria, a defesa classifica as suspeitas como “especulativas” e afirma que qualquer aspiração comercial fazia parte de um esforço legítimo de busca por trabalho lícito.

O Conflito de Interesses

O caso de Layla Lima Ayub é visto com extrema gravidade pela cúpula da segurança pública paulista. O fato de uma delegada — figura central na condução de inquéritos e no combate à criminalidade — manter vínculos estreitos com indivíduos sob investigação por tráfico e organização criminosa coloca em xeque a integridade das instituições.

Enquanto o processo corre sob segredo de Justiça, a ex-delegada e seu companheiro permanecem detidos. A investigação agora se debruça sobre o alcance da influência de Jardel nas atividades de Layla e se informações privilegiadas da polícia chegaram a ser compartilhadas com o crime organizado.