Após denúncia de Raul Marcelo, TCE-SP cobra resposta em 15 dias da Prefeitura de Sorocaba sobre pagamentos sem contrato

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Raul Marcelo Questiona Superlotação E Redução Da Frota E Sucateamento Dos Ônibus Em Sorocaba

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo acatou a denúncia do vereador Raul Marcelo (PSOL) sobre possíveis irregularidades envolvendo pagamentos superiores a R$ 2,05 milhões da Prefeitura de Sorocaba à empresa Elite Facility, responsável pelo serviço de limpeza em unidades de saúde da cidade. A Corte determinou a notificação do Executivo e fixou prazo de 15 dias para que a administração apresente justificativas ou comprove a legalidade dos atos.

De acordo com a representação apresentada pelo parlamentar ao TCE-SP, há indícios de pagamentos superiores a R$ 2,05 milhões realizados sem cobertura contratual entre julho e novembro de 2025 — valor que pode ultrapassar R$ 2,5 milhões com repasses posteriores. O Tribunal também cobra explicações formais sobre a contratação emergencial nº 206/2024 e a adoção de medidas para garantir o cumprimento da legislação.

Raul Marcelo afirma que a situação repete um padrão já identificado pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) em outro caso, envolvendo a empresa Human Concierge, que recebeu mais de R$ 13 milhões sem cobertura contratual — denúncia também apresentada pelo legislador do PSOL. Na representação agora acatada, o parlamentar solicita que o órgão investigue os pagamentos, avalie a legalidade da contratação emergencial da Elite Facility e, se necessário, encaminhe o caso ao Ministério Público de Contas.

A contratação da Elite ocorreu após a rescisão do contrato da empresa Vagner Dias Borges ME, cuja ligação com o crime organizado foi alvo de investigação do Ministério Público em Guarulhos. Segundo o vereador do PSOL, a Prefeitura de Sorocaba reconhecia problemas na execução do serviço pela empresa anterior, mas, ainda assim, não conduziu uma licitação tempestiva para a substituição do contrato.

Outro ponto destacado é a composição do comparativo de preços usado na contratação emergencial. As empresas consultadas — Gotalimpa, A3 Serviços e CS Facilities — acumulam histórico de contratos emergenciais, prorrogações sem licitação e reclamações trabalhistas. Para Raul Marcelo, esse cenário levanta suspeitas sobre a condução do processo e sugere que a administração municipal tem adotado, de forma recorrente, modelos de contratação que evitam a concorrência pública.

O vereador também questiona a suspensão, sem justificativas claras, do pregão eletrônico nº 189/2025, que deveria substituir o contrato emergencial. O edital foi publicado em setembro, suspenso em outubro e só retomado em dezembro. Para ele, a demora pode ter contribuído para a continuidade dos pagamentos sem respaldo jurídico.

Além de acionar o Tribunal de Contas, Raul Marcelo também levou a denúncia ao Ministério Público Estadual, solicitando a apuração da responsabilidade da administração municipal e a restituição aos cofres públicos dos valores pagos de forma irregular.