O empresário de Mairinque, Ricardo veterinário está no centro de uma forte polêmica que cruza investigações da Polícia Federal (PF) e o uso de verbas públicas em São Paulo. Ele começou a operar no programa paulista “Castra+” — projeto financiado por uma emenda parlamentar de R$ 11 milhões do deputado federal Bruno Lima (Podemos) — em maio deste ano, exatamente no mesmo mês em que foi alvo de mandados de busca e apreensão em uma grande operação policial.
Ricardo é investigado na Operação Castratio, deflagrada pela PF para apurar supostas irregularidades em 19 contratos firmados pelo governo do Rio de Janeiro com a clínica Construvet, cujos valores sob suspeita somam R$ 193 milhões. Apesar do cerco da PF, o veterinário expandiu sua atuação para o estado de São Paulo, iniciando as atividades no projeto paulista por meio de um mutirão de castração em Osasco, na região metropolitana.
“Agora vocês vão ver o que é unidade”, diz Ricardo sobre contestação da PF
Questionado sobre as investigações da Polícia Federal, que apontavam que ele não possuía unidades de castramóveis adequadas para os serviços contratados, Ricardo de Almeida Souza minimizou as suspeitas. Em tom de desafio, ele relatou ter confrontado as autoridades:
“A PF levantou que eu não tinha unidade de castramóveis. Falei pra eles: ‘Agora vocês vão ver o que é unidade’”, declarou o veterinário.
Segundo Ricardo, os serviços sob investigação no Rio de Janeiro já haviam sido integralmente prestados antes da deflagração da operação e de sua entrada no projeto em São Paulo.
Fragilidades no programa de rastreamento
A atuação de Ricardo em São Paulo ocorre em meio a outra controvérsia que envolve o “Castra+”. O programa, que já recebeu R$ 5,6 milhões em repasses no estado para a castração de 14,9 mil cães e gatos e microchipagem de 30,1 mil animais, apresenta sérias falhas de fiscalização. Uma auditoria realizada pelo portal Metrópoles analisou 500 registros de microchips e constatou que, em 439 casos (quase 88% da amostragem), é impossível rastrear os dados dos animais.
Paralelamente, a empresa ligada aos serviços enfrenta problemas em outros estados. Em Ponta Grossa (PR), há suspeitas de que cães recém-operados tenham sido abandonados em vias públicas. Um dos sócios do grupo, Matheus Fraitg, nega qualquer irregularidade e alega que a empresa é alvo de perseguição por disputas políticas e econômicas regionais. A organização já teve repasses temporariamente suspensos pelo Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC) por suspeitas semelhantes.
Posição oficial
Em nota, o deputado federal Bruno Lima, autor da emenda de R$ 11 milhões que financia o programa em São Paulo, afirmou que não tinha conhecimento sobre as investigações da Polícia Federal envolvendo Ricardo de Almeida Souza ou as empresas mencionadas. O parlamentar ressaltou que a habilitação das entidades, a execução dos convênios e a devida fiscalização dos serviços prestados são de responsabilidade direta do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.



