Advogada Carla Reis comenta sobre governo proibir comprar casa em dinheiro vivo

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Advogada Carla Reis Explica Que Justiça Gratuita Não Pode Ser Negada Com Base Em Renda

A partir de agora não da mais para comprar casa com dinheiro vivo no Brasil, sendo essa ação uma das maiores mudanças regulatórias dos últimos anos no país. O Senado Federal aprovou, recentemente, um projeto de lei que restringe drasticamente a compra de imóveis mediante o pagamento em dinheiro em espécie. A proposta, que agora segue para análise na Câmara dos Deputados, busca fechar o cerco contra a lavagem de dinheiro e a ocultação de bens.

Na prática, o texto estabelece que as transações imobiliárias deverão ser realizadas obrigatoriamente por meios rastreáveis — como transferências bancárias, PIX ou cheques nominais. Com a nova regra, cartórios de registro de imóveis ficarão impedidos de lavrar escrituras caso a quitação de valores elevados seja feita em “dinheiro vivo”.

Segurança jurídica e transparência

Para entender o impacto direto dessa medida para o cidadão comum e para o setor, o jornal Correio do Interior consultou a advogada Carla Reis, que atua em Sorocaba, São Roque e região, e que segundo ela, a iniciativa é um passo fundamental para a modernização do sistema financeiro nacional e para a proteção do próprio comprador.

“A utilização de grandes quantias em espécie sempre foi um sinal de alerta para os órgãos de fiscalização. Com essa restrição, o Estado consegue monitorar a origem e o destino do capital, dificultando que o mercado imobiliário seja utilizado como ‘lavanderia’ para recursos de origem ilícita”, explica Carla Reis.

Além do combate ao crime, a advogada destaca que a medida amplia a segurança jurídica. “Quando o pagamento é feito por via bancária, existe um rastro digital incontestável. Isso protege tanto o vendedor, que tem a garantia da origem do recurso, quanto o comprador, que possui uma prova robusta de quitação em caso de futuras disputas judiciais”, afirma.

Sanções e fiscalização

Se o projeto for sancionado, o descumprimento das regras não será tratado apenas como uma falha administrativa. O texto prevê sanções rigorosas, que podem incluir a apreensão dos valores envolvidos e a responsabilização criminal dos envolvidos em casos de irregularidades graves.

Mudança cultural no mercado

Embora a medida pareça rígida, especialistas acreditam que ela reflete uma tendência global de formalização. Para a advogada Carla Reis, a adaptação do mercado será rápida, mas exige atenção aos detalhes contratuais.

“O setor precisará ser ainda mais diligente. Os contratos de compra e venda já deverão especificar a forma de transferência eletrônica que será utilizada. Aquela cultura de ‘guardar dinheiro no colchão’ para comprar uma casa está com os dias contados, o que, no fim das contas, traz mais profissionalismo e menos riscos para a economia do país”, conclui a especialista.

O projeto de lei aguarda agora a designação de um relator na Câmara dos Deputados antes de seguir para votação em plenário.