A partir de hoje, sexta-feira, PCC e CV são considerados organizações terroristas

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A Partir De Hoje Sexta Feira Pcc E Cv Sao Considerados Organizacoes Terroristas

O governo dos Estados Unidos oficializou, nesta sexta-feira (5 de junho de 2026), a inclusão das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na sua lista oficial de organizações terroristas estrangeiras. A medida, publicada no Federal Register (o Diário Oficial norte-americano), foi assinada por Marco Rubio, secretário do Departamento de Estado da administração de Donald Trump.

A classificação altera drasticamente o tratamento legal dado aos dois grupos a nível internacional e prevê sanções económicas severas. Em termos práticos, a partir de hoje, qualquer tipo de apoio material ou financeiro a estas facções passa a ser considerado crime pelas leis dos EUA. Além disso, todos os fundos e contas bancárias associados a membros do PCC e do CV em instituições financeiras americanas devem ser imediatamente bloqueados e reportados ao governo. Os integrantes de ambas as organizações ficam proibidos de entrar em território norte-americano e, caso já se encontrem no país, estarão sujeitos a expulsão imediata.

De acordo com declarações da porta-voz do Departamento de Estado, a decisão baseia-se na forte expansão internacional das facções. Relatórios internos apontam que o PCC e o CV já possuem operações ativas em pelo menos 12 estados norte-americanos — o que representa cerca de um em cada quatro estados do país. Entre as regiões com presença confirmada estão Nova Iorque, Nova Jérsia, Massachusetts, Flórida e Tennessee.

No documento de designação, Marco Rubio justificou a medida afirmando que as facções “cometeram ou tentaram cometer, representam um risco significativo de cometer ou participaram de treino para cometer atos terroristas que ameaçam a segurança de cidadãos dos EUA ou a segurança nacional, a política externa ou a economia dos Estados Unidos”. O secretário reforçou ainda que o governo Trump “continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger os interesses de segurança nacional e negar financiamento e recursos narcoterroristas.”

Crise Diplomática e Bastidores Políticos

A decisão de Washington surge no seio de uma intensa disputa política no Brasil e gerou uma reação imediata e inflamada por parte do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O Palácio do Planalto tentava, nos bastidores diplomáticos, evitar a classificação por recear que a medida representasse uma interferência externa na soberania brasileira e que pudesse influenciar o cenário político interno. Há cerca de 20 dias, Lula teve uma reunião de mais de três horas com Trump, na qual propôs um acordo de cooperação bilateral na segurança, mas o presidente brasileiro afirmou que o tema específico da classificação de terrorismo não foi debatido na ocasião.

O anúncio oficial coincidiu também com a recente visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Washington, onde se reuniu com Donald Trump, Marco Rubio e o vice-presidente norte-americano.

Em resposta à publicação dos EUA, o governo brasileiro emitiu uma nota oficial dura. Embora tenha reconhecido que o PCC e o CV espalham o terror nas comunidades onde atuam através do tráfico de droga, armas e milícias, o executivo brasileiro rejeitou formalmente a tipificação de “terrorismo”. Pela legislação do Brasil, este conceito é estritamente aplicado a atos violentos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito com o objetivo de provocar terror social generalizado.

Sem mencionar nomes diretamente, a nota do governo federal classificou como “deplorável” a articulação da família Bolsonaro junto de autoridades estrangeiras:

“A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”, sublinha o comunicado.

Questionada sobre a influência da oposição brasileira na medida, a porta-voz do Departamento de Estado declarou que, embora o presidente Donald Trump ouça conselheiros, políticos e personalidades do seu entorno, as suas decisões são tomadas de forma independente e com base no que considera melhor para a segurança nacional dos Estados Unidos.