
Após dezesseis anos de espera pela pavimentação de suas ruas, moradores do bairro Algarve, localizado no quilômetro 26 da Rodovia Raposo Tavares em Cotia, decidiram tomar as rédeas da situação em suas próprias mãos. Cansados de promessas não cumpridas e protocolos que atravessaram múltiplas gestões municipais, os residentes se organizaram e arrecadaram aproximadamente R$ 4 mil em uma vaquinha comunitária para realizar uma intervenção paliativa nas ruas Eugênio Soares e Bagé, que permanecem sem asfalto há mais de uma década e meia.
A reivindicação pela pavimentação dessas vias remonta a 2009, quando o primeiro pedido formal foi registrado na Prefeitura de Cotia sob o protocolo nº 6028/2009. Desde então, a demanda não saiu do papel, apesar de sucessivas cobranças e novas protocolizações. Em 2025, os moradores protocolaram novamente a solicitação, desta vez sob o número 61/2025, evidenciando a persistência de um problema que permanece irresolvido após mais de uma década e meia.
Jean Palombo, morador que lidera a reivindicação, documentou meticulosamente a jornada frustrada dos residentes em busca de uma solução. Segundo ele, a reclamação não apenas passou por diversos canais administrativos municipais, mas também chegou ao Ministério Público do Estado de São Paulo, com registro formal em 2017, além de manifestação na Ouvidoria Municipal no mesmo ano. Essa escalação institucional revela a gravidade da situação e o esgotamento dos moradores com os trâmites convencionais.
“Estamos cansados. Já cobrei vários secretários e não vejo evolução”, declarou Jean, em tom que reflete a frustração acumulada ao longo dos anos. O morador ressalta que a reivindicação atravessou diferentes gestões municipais, incluindo as administrações de Quinzinho Pedroso, Carlão Camargo, Rogério Franco e a atual gestão de Welington Formiga, sugerindo que o problema transcende mudanças políticas e aponta para uma questão estrutural na administração municipal.
Em julho de 2022, os moradores receberam uma informação que reavivou suas esperanças: a prefeitura comunicou que a obra seria executada, incluindo implantação de guias e sarjetas. No entanto, essa promessa também não se concretizou, permanecendo apenas no papel enquanto as ruas continuam deterioradas.
Diante da inércia administrativa persistente, os moradores do bairro Algarve optaram por uma solução improvisada, ainda que temporária. Utilizando a arrecadação de R$ 4 mil obtida na vaquinha comunitária, compraram fresa – material reaproveitado de asfalto – para melhorar parcialmente o trecho mais crítico das vias. O serviço foi realizado de forma paliativa, sem representar uma solução definitiva, mas refletindo a determinação da comunidade em não esperar indefinidamente pela ação governamental.
Essa iniciativa comunitária ilustra um cenário cada vez mais comum em municípios brasileiros, onde a ausência ou insuficiência de investimentos públicos em infraestrutura básica força os próprios moradores a assumirem responsabilidades que deveriam ser do Estado. A medida, embora louvável em seu espírito solidário, evidencia a falha do poder público em cumprir suas obrigações fundamentais.
Demonstrando sua disposição em buscar soluções por todos os canais disponíveis, Jean Palombo também notificou a Câmara dos Deputados, buscando fiscalização sobre a situação das ruas não pavimentadas em Cotia. Essa ação sugere que os moradores estão dispostos a levar o caso para instâncias federais, caso a administração municipal continue negligenciando a demanda.
O caso das ruas Eugênio Soares e Bagé em Cotia representa mais que uma simples questão de infraestrutura urbana. Trata-se de um indicativo de falhas na gestão pública municipal, onde promessas sucessivas não se traduzem em ações concretas, deixando moradores em condições precárias de mobilidade e qualidade de vida. Enquanto a prefeitura não apresenta um cronograma claro e viável para a pavimentação dessas vias, os residentes continuam recorrendo a soluções caseiras e apelando para instâncias superiores de governo.
A persistência dos moradores do bairro Algarve, documentada através de protocolos, manifestações ao Ministério Público e agora pela vaquinha comunitária, serve como um alerta sobre a necessidade de maior eficiência e responsabilidade na administração pública municipal. A solução paliativa implementada pelos moradores é apenas um paliativo temporário; o que Cotia realmente precisa é de um compromisso genuíno e executável com a pavimentação definitiva dessas ruas que aguardam há dezesseis anos.

Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.




