Vizinhos se assustam com prisão de morador de Mairinque por furto de petróleo da Transpetro

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Vizinhos Se Assustam Com Prisão De Morador De Mairinque Por Furto De Petróleo Da Transpetro

A pacata rotina do bairro São José, em Mairinque, foi interrompida logo cedo nesta quinta-feira (22/01). Moradores da Rua Renato Lippi foram surpreendidos por uma movimentação intensa de viaturas da Polícia Civil e agentes do GOE (Grupo de Operações Especiais). O alvo era Washington Tavares de Oliveira, morador local preso sob a acusação de integrar uma sofisticada quadrilha especializada no furto de petróleo da Transpetro.

A ação faz parte da Operação Haras do Crime, uma força-tarefa liderada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro em conjunto com agentes de São Paulo e o Ministério Público.

O papel do morador de Mairinque

De acordo com apurações do Jornal Correio do Interior, Washington não era um desconhecido da logística criminosa. As investigações apontam que ele atuava como um dos motoristas da quadrilha, responsável por transportar o combustível furtado por rotas interestaduais.

A prisão em Mairinque foi apenas uma das peças de um tabuleiro que se estende por vários estados. A organização criminosa, segundo a polícia, operava com uma estrutura empresarial, dividida em:

  • Extração: Perfurações clandestinas nos dutos.
  • Segurança: Proteção armada nos pontos de retirada.
  • Logística: Caminhões-tanque (onde o morador de Mairinque atuava).
  • Lavagem: Venda do produto com notas fiscais falsas e empresas de fachada.

Conexão com a contravenção no Rio

O coração da operação, no entanto, bate na Baixada Fluminense. O principal alvo da “Haras do Crime” é uma fazenda em Guapimirim (RJ), local estratégico por onde passa o oleoduto da Transpetro. A propriedade pertence à família Garcia, nome de peso na contravenção carioca.

As donas do imóvel são as irmãs gêmeas Shanna e Tamara Garcia, filhas de Waldomiro Paes Garcia, o “Maninho”, bicheiro e ex-presidente da escola de samba Salgueiro, assassinado em 2004.

Perigo além do prejuízo financeiro

A Polícia Civil emitiu um alerta sobre a periculosidade do método utilizado pelo grupo. Para extrair o petróleo, a quadrilha realizava perfurações clandestinas, técnica que gera riscos altíssimos de explosões e desastres ambientais.

“A perfuração clandestina representa perigo real, podendo provocar vazamentos de grandes proporções e contaminação de rios, além de ameaçar comunidades inteiras”, destacou a corporação em nota.

Obstrução de justiça

Durante os meses de investigação, os agentes descobriram que o grupo não hesitava em usar a violência para se proteger. Foram documentados casos de:

  1. Intimidação de testemunhas.
  2. Destruição de provas eletrônicas.
  3. Ocultação de maquinário pesado.

Muitos dos detidos nesta quinta-feira, incluindo líderes da organização, já possuem passagens pela polícia por outros crimes. O objetivo agora é desmantelar o braço financeiro do grupo e garantir a segurança da infraestrutura energética nacional.