Vereador cria projeto que permite que evangélicos possam evangelizar nas escolas de São Roque e gera desconforto

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Vereador Cria Projeto Que Permite Que Evangélicos Possam Evangelizar Nas Escolas De São Roque E Gera Desconforto

Um projeto de lei apresentado por um vereador, Welligton Oliveira, do partido Republicanos, recentemente eleito na cidade de São Roque, tem gerado debate entre diferentes grupos religiosos e setores da sociedade. O projeto de lei 24-2025, que será votado na sessão da câmara de vereadores nesta terça-feira (18/02), às 9h, tem a proposta prevê a autorização para que evangélicos possam evangelizar dentro das escolas do município, o que despertou preocupação em representantes de outras religiões, especialmente as de matriz africana.

Para os defensores do projeto, a medida representa um direito à liberdade religiosa e uma forma de disseminar ensinamentos cristãos entre os estudantes. No entanto, críticos apontam que a iniciativa pode ferir o princípio da laicidade do Estado, estabelecido na Constituição Federal, além de abrir precedentes para o favorecimento de uma única vertente religiosa dentro de instituições públicas de ensino.

Lideranças de religiões de matriz africana expressaram desconforto com a proposta, temendo que a permissão para atividades evangelizadoras dentro das escolas possa reforçar discriminação e intolerância religiosa. Segundo eles, a escola deve ser um espaço de pluralidade e respeito a todas as crenças, sem privilégios a nenhuma delas.

O projeto ainda será avaliado pela Câmara Municipal e deve passar por discussões antes de uma possível votação. Enquanto isso, o tema segue mobilizando debates entre religiosos, educadores e defensores do Estado laico.

Representante de religião de matriz africana fala sobre

Ao Jornal Correio do Interior, Babalorixá Yanjangua, do terreiro Abassa de Ogun e Oxumum, falou sobre o caso:

“Infelizmente esse projeto prioriza religiões de base cristã. É um projeto onde o foco é evangelizar que é levar o evangelho aos locais públicos, coisa que pode ser feita sem ter uma lei municipal, afinal é algo constitucional. Infelizmente não temos espaço de voz na Camarâ Municipal, mas vamos juntos nos unir lutar pelos nossos direitos e mostrar que o povo do axé EXISTE E RESISTE. O intuito dessa PL é assegurar aos pastores, bispos e lideranças cristãs tenham esse amparo legal. Amparo que nós, de religião de matriz africana nunca tivemos, visibilidade essa que nós nunca tivemos. Vivemos lutando contra a intolerância religiosa e a favor da igualdade religiosa e quando achamos que São Roque está caminhando para isso vemos esse projeto absurdo que prioriza e da força a Bancada Evangélica e descredibiliza as religiões de matrizes africanas.”