
A Unidade Regional de Pesquisa e Desenvolvimento Agrícola (URPD) de São Roque tem futuro incerto. O terreno público de 46 hectares onde funciona a unidade foi incluído na lista de imóveis considerados ociosos pelo governo estadual e pode ser leiloado.
Uma audiência pública que discutiria os impactos da venda da área com a comunidade científica foi suspensa por decisão judicial. A Secretaria de Agricultura recorreu e ainda não há nova data definida.
A URPD pertence à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) e desenvolve pesquisas em agroecologia desde 1928. Segundo os pesquisadores, a unidade segue em atividade, apesar da falta de investimentos.
Este é o primeiro terreno da lista que pode ser leiloado.
Outros 34 imóveis usados por institutos de pesquisa também estão sob risco de alienação. O pesquisador Sebastião Wilson Tivelli afirma que o governo ainda não dialogou com a unidade para entender os impactos da possível venda, que comprometeria projetos voltados à agricultura orgânica, assistência técnica e preservação ambiental na região.
A área é avaliada em cerca de R$ 107 milhões, mas o governo ainda não definiu um valor oficial para a possível venda. A venda pode afetar diretamente a produção de uva e vinho da região. A cidade conta com cerca de 20 km da Rota do Vinho, que reúne 16 vinícolas e emprega cerca de 2,5 mil pessoas.
Marília Orantas, presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e Sustentável, destaca que a preservação do espaço é fundamental para a produção agroecológica e a conservação de recursos naturais.
O Conselho solicitou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) o tombamento emergencial da unidade para proteger a área. O pedido está em análise. Segundo a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo, há cerca de 8 mil cargos vagos nos institutos de pesquisa, o que dificulta o funcionamento das unidades e pode dar a falsa impressão de ociosidade.
Para a presidente da associação, Helena Dutra Lutgens, a venda dos terrenos representa um retrocesso ambiental e científico. Ao todo, 35 áreas públicas em diferentes cidades do estado podem ser vendidas, doadas ou cedidas, mas o governo ainda avalia se a alienação será total ou parcial.
A Secretaria de Agricultura afirma que pretende realizar audiência com a comunidade científica para debater o tema e que a alienação das áreas não deve comprometer a pesquisa no estado.
A Prefeitura de São Roque informou que desde 2021 tenta obter a cessão da área para manter as pesquisas. Em parceria com o estado, o setor vinícola e o Instituto Federal, tem desenvolvido projetos como a produção de vinho agroecológico e o cultivo da alcachofra roxa da região.

Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.




