
A chamada “Prainha de Sorocaba” do Parque Porto das Águas, em Sorocaba, foi aberta ao público de forma irregular, sem autorização do Corpo de Bombeiros, laudo técnico de segurança ou qualquer respaldo do próprio regulamento municipal. A denúncia, feita pelo vereador Izídio de Brito (PT), escancara uma série de improvisos perigosos por parte da gestão do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), que promoveu o local como espaço familiar mesmo diante da ausência de condições mínimas de segurança.
Improviso, propaganda e omissão: os bastidores da inauguração
O alerta veio à tona após um requerimento protocolado por Izídio, que cobrou esclarecimentos sobre as condições da prainha. Em resposta, o Corpo de Bombeiros confirmou que nunca foi informado oficialmente sobre a inauguração, tampouco realizou qualquer vistoria técnica no local. Segundo o ofício, houve apenas uma conversa informal com o prefeito, em que foram dadas orientações genéricas — como a instalação de salva-vidas, boias delimitadoras e placas de sinalização — nenhuma das quais foi implementada pela prefeitura.
Além disso, não foi emitido qualquer laudo preventivo de afogamento nem há regulamentação específica sobre guarda-vidas em balneários públicos. Os bombeiros citaram apenas a Lei Federal nº 14.327/2022, que trata de dispositivos de segurança para piscinas — legislação considerada insuficiente para ambientes naturais e abertos como o Parque Porto das Águas.
Mesmo diante dessas lacunas, o prefeito Rodrigo Manga promoveu com entusiasmo a abertura da prainha em suas redes sociais. Em vídeos, chegou a afirmar que o local estava “liberado para as crianças” e incentivou o público a “levar a churrasqueira para fazer um churrasco em família” — atitude que contraria frontalmente o regulamento municipal.
Segundo o Decreto Municipal nº 25.947/2020, é proibido nadar, fazer churrasco ou realizar qualquer atividade aquática sem autorização expressa da administração. A regra, no entanto, foi ignorada pela própria prefeitura.
H3: Tragédia anunciada: negligência culmina na morte de adolescente
A vereadora Iara Bernardi (PT) também entrou com um requerimento exigindo explicações. Em resposta, a prefeitura tentou minimizar a gravidade: alegou que o local “não permite nado” e que as sinalizações seriam suficientes para garantir a segurança. Sobre os churrascos, afirmou que a fala de Manga foi “mal interpretada” e que ele se referia apenas ao transporte de alimentos prontos.
Mas o pior ainda estava por vir. No dia 2 de maio, poucos dias após a ampla divulgação da prainha, um adolescente de 13 anos morreu afogado no local. Ele estava acompanhado do irmão, de 15, que também se afogou, mas foi resgatado por banhistas. Nenhum dos dois sabia nadar.
Segundo o Corpo de Bombeiros, os adolescentes ultrapassaram a área delimitada por boias e chegaram a uma parte do lago com mais de seis metros de profundidade. O mais novo ficou submerso por cerca de 20 minutos até ser encontrado. O Samu ainda tentou reanimá-lo, mas sem sucesso.
Testemunhas relataram que não havia salva-vidas no local no momento do incidente, o que confirma a total falta de estrutura de segurança prometida pela gestão municipal. Após a tragédia, o Ministério Público recomendou a interdição imediata da prainha — medida defendida desde o início pelos dois vereadores.
O vereador Izídio de Brito formalizou denúncia ao MP. “É revoltante. Essa tragédia poderia ter sido evitada com responsabilidade. Lamento profundamente a morte desse jovem. A propaganda do prefeito foi ferrenha, promovendo um local sem qualquer controle de segurança”, disparou.
Além da ausência de laudo técnico, também não há comprovação de que o local atenda às exigências ambientais do Conama — como testes de balneabilidade ou garantias de segurança sanitária para contato com a água.

Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.







