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Polícia Federal encontra venezuelanos em condições de trabalho escravo em Votorantim

Igor Juan

24 de setembro de 2019
Atualização:24 set 2019 às 16:42

A Polícia Federal encontrou três venezuelanos em situação análoga à escravidão em uma casa em Votorantim, após uma investigação da PF a um empresário de Roraima, ligado ao tráfico de pessoas.

O empresário foi preso em Boa Vista (RR), na quarta-feira (18), suspeito de submeter adultos e adolescentes venezuelanos ao trabalho escravo, além de aliciar mulheres para tráfico humano com fins de exploração sexual.

Em Votorantim a Polícia Federal apurava situações em um imóvel mo qual o empresário suspeito e dono.  De acordo com as investigações, no imóvel o empresário teria mantido até 40 trabalhadores estrangeiros, sendo todos venezuelanos que atuavam na construção civil.

A PF informou que há indícios de que vítimas de ambos os crimes seriam enviadas para os estados de São Paulo, Amazonas e Mato Grosso em um esquema de tráfico humano, conforme as investigações.

O caso foi descoberto após trabalhadores conseguirem escapar e denunciar o caso às autoridades em Pacaraima, cidade de Roraima que faz fronteira com a Venezuela. Eles prestavam serviços na construção civil e eram proibidos de se ausentar do canteiro de obras.

Alguns relataram não receber salários enquanto eram obrigados a ter jornadas de 12 horas por dia, sem direito a dias de descanso. Outros ganhavam R$ 10 por dia, valor que chegava a apenas R$ 5 no caso dos adolescentes que também eram impedidos de ir à escola.

Além de receberem alimentação precária e viverem em barracos sem banheiro, as vítimas, que praticamente já não tinham salários, recebiam descontos no pagamento pelo fornecimento de água, que não era potável, e energia elétrica, que também não era fornecida.

As vítimas também relataram ser coagidas pelo empresário a irem a outros estados do país para trabalhar nas mesmas condições de escravidão, bem como para fins de exploração sexual no caso das mulheres.

Na casa do empresário, em Roraima, a PF apreendeu documentos que ele usava para formalizar as contratações irregulares e impor penalidades como multas por danos e furto de ferramentas além de proibições como se ausentar do trabalho por mais de 40 minutos.

Igor Juan

Jornalista editor-chefe do Correio do Interior. Formando pela faculdade ESACM Sorocaba. Atuou na RedeTV!

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