Open Banking vai facilitar pessoas a terem cartão de crédito

Igor Juan

14 de julho de 2021
Atualização:14 jul 2021 às 11:11

Na tradução literal, open banking significa “banco aberto”, ou “sistema bancário aberto”, seja lá como preferir chamar. Esse conceito de trabalho financeiro tem um princípio simples: o de que é preciso abrir o leque de opções disponíveis para o consumidor e permitir que ele tenha mais liberdade para levar suas informações financeiras para onde quiser.

A base do Open Banking é simples: todo o mercado financeiro deveria adotar uma camada de tecnologia padronizada – uma forma de comunicação fácil para simplificar a portabilidade de dados.

De quebra, essa tecnologia, conhecida como APIs, também vai permitir ampliar a oferta de produtos e serviços financeiros – trazendo mais concorrência e competição a um setor conhecido por ser super concentrado.

Isso acontece porque a premissa do Open Banking é ter APIs abertas – ou seja, ter essa base de tecnologia disponível para que um ecossistema de produtos e serviços financeiro seja criado ao redor das instituições.

Tudo isso pode ser feito em um ambiente seguro – como já acontece hoje com todas as operações online – no qual o cliente tem total controle das informações que decide compartilhar com outras instituições ou empresas.

Reino Unido é um dos locais nos quais o Open Banking já é uma realidade. Estados Unidos, Austrália, Japão, União Europeia e Hong-Kong também já estudam como implementar esse sistema.

No Brasil, a primeira fase do Open Banking teve início em fevereiro. (veja mais abaixo).

O que é Open Banking na prática?

Imagine todo o histórico de crédito construído ao longo do tempo com um banco – as contas pagas em dia, os salários depositados, as prestações, empréstimos, perfil de gastos…

Com o Open Banking, o cliente consegue pegar todas essas informações e levá-las para onde quiser, sem ter que começar um relacionamento do zero com uma nova instituição.

Essa é uma mudança enorme que vai facilitar muito a vida dos clientes que desejam migrar de instituição ou simplesmente adquirir um novo produto financeiro.

Hoje, mudar de banco é um processo burocrático e chato – e começar a usar um novo serviço nem sempre é uma experiência completa.

Isso acontece porque, muitas vezes, falta à nova instituição ou produto o contexto para conseguir oferecer às pessoas  algo mais personalizado, como um limite de crédito ou um pacote de investimentos adequado a cada perfil. Com o Open Banking:

  • Um cliente que pede um empréstimo em uma instituição, por exemplo, poderia usar seu histórico já existente em outros lugares para conseguir melhores taxas de juros ou limites.
  • Além disso, fica muito mais fácil desenvolver novos produtos e serviços quando todo o mercado fala a mesma língua e tem um padrão.

Isso não significa que toda a tecnologia, de todas as instituições, será a mesma – e muito menos que as informações ficarão soltas no sistema.

Na verdade, apenas uma camada dessa tecnologia será capaz de entender e conversar com todas as plataformas do sistema se o cliente quiser levar seu histórico para outra instituição ou compartilhá-los com algum serviço – como um aplicativo de controle de gastos ou em sites de compras, por exemplo.

Essa tecnologia – ou forma de conversar – se daria por meio de APIs.

O que são as APIs do Open Banking?

API, ou application programming interface, é parte de um sistema que funciona justamente como uma área compartilhada para falar com outros sistemas.

Por exemplo: toda vez que você acessa um site, o seu navegador só consegue mostrar as informações porque está “conversando” com a API do servidor no qual a página está hospedada.

As APIs são parte de diversos programas usados dentro de todos os tipos de empresas – mas elas também podem ser abertas para a comunidade, o que significa que terceiros também conseguem criar produtos a partir delas.

As empresas de tecnologia são famosas por terem APIs abertas. Com a API do Google Maps, o serviço de mapas do Google, qualquer um consegue construir um site com um mapa integrado a ele, por exemplo.

Vários sites também usam as APIs abertas de redes sociais para criar formas mais rápidas de cadastro. Repare na quantidade de páginas que dão a opção fazer login usando o perfil de uma rede social.

Em resumo, a API da rede social é uma forma padronizada de pedir e usar as informações que o usuário já colocou por lá na hora de fazer o cadastro no site – mas ela só funciona se o usuário quiser permitir essa integração.

De forma similar, o Open Banking propõe que todo o mercado financeiro tenha APIs abertas.

Cada banco, empresa, fintech ou operadora continua tendo autonomia para desenvolver os produtos que quiser, com a tecnologia que escolher e adotando todos os procedimentos de segurança.

A diferença é que passaria a existir uma forma padronizada de conversar. A partir delas, uma série de produtos e serviços podem surgir para competir com os atuais bancos e fintechs ou para complementar o que eles oferecem.

Nenhum deles, no entanto, tem acesso aos dados sem que o cliente escolha compartilhar suas informações.

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