Mairinquense inicia 2020 com vida nova após transplante de rim


03/01/2020 l Atualizada em - 03/01/2020 às 11:17

Márcio Roberto Cruz realizava há 3 anos sessões de hemodiálise por problemas no rim

Literalmente 2020 é o início de uma nova vida para o mecânico ferroviário aposentado Márcio Roberto Cruz, 41 anos, morador de Mairinque. Após três anos de sessões de hemodiálise provocadas pela síndrome renal policística, doença hereditária descoberta há duas décadas, ele viu a sua vida mudar no dia 27 de dezembro, no Hospital do Rim e Hipertensão, em São Paulo.

Era uma sexta-feira de verificação de exames até a chegada da mensagem do hospital indicando a disponibilidade de um rim compatível para transplante. “Me perguntaram se eu queria efetivar o transplante. É claro que eu queria. A máquina de hemodiálise nos mantém vivos, mas é uma prisão”, compara.

O transplante ocorreu no dia seguinte, em São Paulo, e a volta para casa aconteceu ontem. Ele passou o réveillon no hospital, no pós-cirúrgico, mas não esqueceu de fazer um agradecimento nas redes sociais. Embora não tivesse informação nenhuma do doador, por questão de sigilo, Márcio sabia que, em algum lugar do País, alguém estaria chorando a perda de um ente querido. “Eu estava chateado pois iria passar a virada do ano no hospital. Mas aí lembrei da família do doador que ajudou a quem nem conhecia. Seria egoísmo eu reclamar. Eu só tenho que agradecer, pois um pedaço dessa pessoa vive em mim”, resume.

Agora, deverá passar por consultas semanais e fazer uso permanente de remédios imunossupressores, além de dieta moderada e hidratação. E de reforçar a fé que nunca lhe faltou: “Nunca tive medo de morrer, nem no tratamento e nem no transplante. Independentemente de religião, acredito que as coisas acontecem quando têm de acontecer.”

Presente

De acordo com um levantamento da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o Brasil é o segundo país do mundo em número absoluto de transplantes. É também, de acordo com o Ministério da Saúde, o maior sistema público de transplantes do mundo — com 95% dos procedimentos financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Ainda assim, apesar do seu tipo sanguíneo ser considerado comum (A+), o mecânico contava com a possibilidade de um órgão compatível somente a partir da metade de 2020: “A minha ficha só caiu depois do transplante mesmo, mas a felicidade é enorme. Foi um presentão de Natal”.

***Reportagem de Eric Mantuan

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