Mãe conta que filha morta pela COVID-19 teve pulmões danificados
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Mãe conta que filha morta pela COVID-19 teve pulmões danificados

Gabriel Kazuo

22 de janeiro de 2021
Atualização:22 jan 2021 às 10:47

A COVID-19 chegou ao Brasil em março de 2020, e levou muito sofrimento para várias famílias. Mesmo com mais de 200 mil mortes, muitos desdenham da doença e brincam com o vírus. O relato que mostraremos a seguir, na cidade de São José do Rio Preto, mostra que a COVID-19 não é uma ”gripezinha”, mas sim uma doença bastante perigosa.

Solange Cristina Ferreira, de 41 anos, é auxiliar de limpeza, e viu sua jovem filha morrer por conta da doença, com o vírus danificando gravemente um de seus pulmões.

”Os médicos me diziam que o pulmão dela estava esfarelando e ficando como uma bucha de lavar louças. Foi um choque muito grande quando recebi a notícia da morte da minha filha. Ela não tinha nenhuma comorbidade. Era totalmente saudável”, desabafa.

A mãe conta que Lauane morava no Reino Unido, mas decidiu retornar ao Brasil em junho de 2020. Alguns dias após o regresso, ela começou a sentir sintomas do coronavírus. Vale lembrar que, naquela época, o país britânico vivia uma das suas piores fases da pandemia.

”O resultado apontou que ela estava com as plaquetas baixas. Então, minha filha foi ao médico, que falou que era dengue. Quando o plantão foi trocado, outro médico disse que minha filha poderia estar com Covid-19, mas marcaram o exame para dias depois”, relata.

Sem saber o que tinha contraído, Lauane voltou para casa, mas alguns dias depois, ela teve que ser internada às pressas, após ter dificuldades em respirar e falar: ”Então, o namorado a levou para uma unidade de saúde. Depois, ela foi transferida para o Hospital de Base, onde foi entubada instantaneamente”, afirma.

Ela morreu em 23 de agosto. Minha vida nunca mais foi a mesma. Estou com pressão alta. Choro praticamente todos os dias. Queria que ela me enterrasse. Não ao contrário. Ela era uma menina encantadora e batalhadora. Tinha comprado uma casa, móveis, carro, tudo. Ela começou a trabalhar muito cedo. Filha de mãe solteira, ela se virou a vida inteira. Ainda está do jeitinho que ela deixou. Minha outra filha está morando lá. Queremos deixar a memória dela viva entre nós”.

São José do Rio Preto tem mais de mil mortes provocadas pela COVID-19, sendo a oitava colocada na lista de municípios do Estado com mais óbitos decorrentes da doença.

Cientistas explicam que COVID-19 danifica gravemente os pulmões

Pesquisadores da universidades de Oxford e Sheffield, no Reino Unido explicam que o caso de Lauane é bastante comum, pois o vírus acaba destruindo toda a região onde os pulmões se encontram, causando anomalias que podem durar por três meses, podendo levar a óbito em alguns casos.

Para evitar que os danos no órgão se tornem permanentes, orienta=se que os pacientes contaminados façam exames de ressonância, após a infecção passar. Os sintomas que podem aparecer são falta de ar e fadiga. Ainda não se sabe ao certo se é possível recuperar a área dos pulmões que foram atingidas.

O Correio do Interior é produzido por jornalistas que apuram e chegacam informações dos fatos diariamente notíciados no jornal.

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