
Na região de Sorocaba, a Justiça tem pedido que uma das maiores empresas da região, sendo a CBA – Companhia Brasileira de Alumínio, pare de contaminar a água de quatro mananciais que fazem o abastecimento da casa de muitos moradores de Sorocaba e Itu. Brevemente segundo a Cetesb, a empresa tem contaminado as mananciais com fluoreto em níveis elevados entre 2023 e 2024. O produto químico, em grandes concentrações, torna a água imprópria para captação, tratamento e consumo. Embora não tenha havido consumo da água contaminada, a situação tem causado ações emergenciais nas cidades de Itu e Sorocaba, para não ocorrer desabastecimento devido a essa situação.
Essa situação gerou uma ação civil pública pedida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) contra a CBA em março de 2025. A Promotoria Regional do Meio Ambiente, com base em dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), aponta a CBA como responsável pelo lançamento de fluoreto nos corpos d’água. A empresa afirma estar comprometida com a responsabilidade ambiental e declarou que ainda não foi notificada oficialmente sobre a ação.
A Justiça determinou que a CBA aplica quanto antes medidas para evitar novas contaminações, impondo até mesmo uma multa diária de R$ 10 mil. Em decisão posterior, de abril deste ano, ficou estabelecido que, caso novos episódios ocorram, a empresa deverá garantir o abastecimento de água potável às áreas atingidas.
De acordo com a ação, a contaminação ambiental foi tão severa que chegou a interromper a captação de água em Itu, prejudicando cerca de 50 mil moradores e atingindo aproximadamente 15% da população de Sorocaba. Apenas em Itu, foram registradas sete interrupções no fornecimento em 2023 e outras seis em 2024.
A Cetesb identificou a presença de fluoreto em níveis muito acima do permitido em quatro pontos: Córrego dos Granitos, Córrego dos Bugres, Ribeirão do Varjão e Rio Pirajibu. Em alguns trechos, a concentração chegou a ser até 68 vezes superior ao limite máximo permitido, que é de 1,4 miligrama por litro.
Ainda segundo a Cetesb, a planta industrial da CBA é considerada uma área contaminante. Também foram detectadas substâncias poluentes nas imediações das estações de tratamento de água Vitória Régia, em Sorocaba, e Pirapitingui, em Itu.
A exposição prolongada ao fluoreto, de acordo com especialistas ambientais, pode causar problemas graves à saúde, como fluorose óssea. Para quem consome essa água contaminada, ela pode causar diversos problemas com o tempo, como alterações na densidade dos ossos, calcificação de tendões e até fraturas repentinas.
A ação movida pelo MP busca não apenas interromper a poluição, mas também garantir o fornecimento contínuo de água potável e a reparação dos danos causados às populações afetadas.
O que dizem os órgãos locais
A empresa que gerencia o abastecimento de água em Itu, sendo a CIS – Companhia Ituana de Saneamento, informou ao Jornal Correio do Interior que realiza monitoramento diário da água captada no Rio Pirajibu e que, em casos em que identifica a alteração dos padrões de potabilidade, a captação é imediatamente paralisada. Quando essa paralisação acontece, o abastecimento é feito por meio de outros mananciais e, em casos mais críticos, com caminhões-pipa.
Já em Sorocaba, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) garantiu que a água potável distribuída à população segue todos os parâmetros legais. Segundo a autarquia, mesmo nos episódios de contaminação da água bruta do Rio Sorocaba, não houve risco de desabastecimento, graças a manobras operacionais feitas no sistema.
O que a CBA diz sobre?
Em nota, a CBA disse que, desde que foi fundada, há 70 anos, sempre levou a sério a responsabilidade ambiental. Afirmou também que tudo o que faz é acompanhado e fiscalizado pelos órgãos responsáveis, dentro das regras. Segundo a empresa, até agora, ela não foi oficialmente notificada sobre essa ação.

Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.







