
O que deveria ser o início de um novo ciclo para quase 200 trabalhadores da planta da Eagle do Brasil (antiga Filtros Fram) transformou-se em um pesadelo jurídico e financeiro. Na última segunda-feira (19), o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15ª Região determinou o bloqueio imediato de R$ 11.376.944,64 das contas da empresa, após uma demissão em massa que deixou os colaboradores sem qualquer amparo legal.
O “Esvaziamento” da Fábrica
A ação, movida pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Itatiba e Região, aponta uma manobra preocupante por parte da administração da Eagle do Brasil. Além de não pagar as verbas rescisórias e o último mês trabalhado, a empresa teria iniciado a retirada de máquinas e equipamentos da unidade de Jarinu logo após o fechamento dos portões, no dia 8 de janeiro.
Para a Justiça, a movimentação de ativos sugere uma tentativa de dissipação de patrimônio, o que motivou medidas drásticas:
- Bloqueio bancário: R$ 11,3 milhões congelados para garantir pagamentos futuros.
- Restrição imobiliária: Proibição de venda de um imóvel da companhia.
- Apreensão de bens: Retenção de máquinas, veículos e equipamentos remanescentes.
Relatos de desespero
O impacto humano da crise é profundo. Sem as guias de liberação do FGTS e os documentos necessários para habilitar o seguro-desemprego, os ex-funcionários estão em um “limbo” jurídico.
“O pessoal está desesperado. Nem no seguro-desemprego conseguiram dar entrada por falta de documento”, relatou Alexandre Barite, um dos 192 colaboradores desligados. Muitos trabalhadores dependiam do salário de dezembro para quitar contas básicas, mas o valor nunca caiu nas contas.
A unidade de Jarinu, tradicional na fabricação de filtros automotivos sob a marca Fram, passou para o controle da Eagle do Brasil recentemente. O sindicato agora trabalha para que os bens apreendidos e os valores bloqueados sejam convertidos o mais rápido possível no pagamento prioritário das dívidas trabalhistas.
A decisão cabe recurso, mas, até o momento, os bens permanecem sob custódia judicial para evitar que as famílias fiquem permanentemente desassistidas.

Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.







