
O Projeto de Lei nº 509/2025, em tramitação na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), promete revolucionar o turismo rural no estado. A proposta, de autoria do deputado estadual Simão Pedro (PT), visa criar a “Rota da Cana”, um ambicioso roteiro turístico, cultural e gastronômico que pretende destacar municípios fortemente ligados à cultura da cana-de-açúcar — e, mais do que isso, transformar Rio Claro na possível “Capital Paulista da Cana”.
Com potencial para causar mudança radical na dinâmica regional, o projeto já causa climão entre cidades vizinhas que também disputam protagonismo na cadeia canavieira. A pergunta que circula nos bastidores é clara: Rio Claro realmente merece esse posto de destaque?
Rio Claro se impõe como centro da cultura da cana no Estado de SP
A Rota da Cana terá como ponto de partida o município de Iracemápolis, mas é em Rio Claro que os olhos se voltam. Segundo a Secretaria Municipal de Agricultura, a cidade abriga 520 Unidades de Produção Agropecuária (UPAs) registradas, todas ligadas ao cultivo da cana-de-açúcar.
Essas unidades abastecem tanto a indústria de etanol e açúcar, quanto produções de menor escala, como forragem e a crescente — e prestigiada — cachaça artesanal certificada. Muitos desses produtores são premiados nacionalmente, o que reforça a imagem de Rio Claro como referência de qualidade e tradição no setor.
A importância histórica e econômica da cana na cidade é tão expressiva que há quem defenda a oficialização do título de “Capital da Cana” para Rio Claro. Apesar de o texto do projeto não utilizar essa nomenclatura, o posicionamento estratégico da cidade dentro da rota a coloca como favorita natural ao título.
Projeto valoriza tradição, gastronomia e saberes da cana-de-açúcar
A proposta legislativa não se limita à valorização agrícola. A Rota da Cana contempla uma série de ações para promover a cultura imaterial relacionada à cana, como:
- Festas populares tradicionais;
- Saberes e técnicas ancestrais da produção artesanal;
- Gastronomia típica com produtos como rapadura, melado, caldo de cana e a disputada cachaça artesanal.
Também está prevista a preservação do patrimônio histórico, além de incentivo ao turismo rural com base comunitária, privilegiando pequenos produtores, cooperativas, agroindústrias familiares e projetos sustentáveis.
Parcerias e educação: o projeto que escancara o potencial do interior paulista
O projeto destaca ainda a possibilidade de firmar parcerias com universidades, instituições culturais e comerciais para fomentar o conhecimento e a capacitação técnica da cadeia produtiva. Além disso, está prevista a produção de materiais educativos e promocionais, como livros, guias turísticos, roteiros interativos e até exposições itinerantes sobre a história da cana-de-açúcar no estado.
Com isso, o PL nº 509/2025 busca promover um desenvolvimento territorial sustentável, com foco na identidade cultural das comunidades, na economia solidária e na agricultura familiar — pilares estratégicos da política pública moderna.
O texto deixa claro que o Governo de São Paulo poderá celebrar convênios com os municípios interessados, além de entidades públicas e privadas, para viabilizar a execução e ampliação do projeto. Assim, a Rota da Cana pode se tornar não apenas um atrativo turístico, mas também um verdadeiro projeto de transformação social e econômica para o interior paulista.
Setor se divide: apoio entusiasta e receio de hegemonia regional
Nos bastidores, o projeto tem gerado tanto entusiasmo quanto receio. Enquanto produtores e empresários de Rio Claro comemoram a visibilidade, representantes de cidades como Piracicaba, Limeira e Santa Bárbara d’Oeste demonstram preocupação com uma possível centralização da imagem da rota em um único município.
“Não podemos permitir que um projeto coletivo se torne plataforma de marketing para apenas uma cidade”, disparou um vereador de Piracicaba, que preferiu não se identificar. A fala escancara o climão instaurado entre os municípios que integram a região canavieira.
Enquanto isso, em Rio Claro, empresários do setor turístico já preparam pacotes temáticos e experiências imersivas para visitantes, apostando que o título simbólico de “Capital da Cana” será, cedo ou tarde, uma realidade oficial.

Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.







