Governo de SP inicia pagamento de vale-gás; veja quem tem direito

Redação

22 de julho de 2021
Atualização:22 jul 2021 às 13:55

O Governo do Estado de São Paulo deu início nesta quinta-feira (22)  ao pagamento do vale-gás a 104.340 famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza, que moram em comunidades carentes e favelas. Serão ao todo três parcelas bimestrais no valor de R$ 100 cada, a serem pagas entre julho e dezembro de 2021, para a compra de botijão de gás de cozinha (GLP 13 kg).

O gás de cozinha  vem tendo reajustes de valor desde 2019, com a mudança na política de reajustes da Petrobras, e na última semana atingiu R$ 130 o botijão de 13 kg em alguns municípios a região Centro-Oeste, local de difícil acesso para o insumo, segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Na média, o gás de cozinha subiu 4,3% nas últimas quatro semanas, sendo comercializado a R$ 88,94.

A Petrobras elevou o preço do GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) em 6% em meados de junho, o primeiro aumento da gestão do general Joaquim Silva e Luna na estatal, que não realizou reajuste do combustível em maio.

Enquanto na indústria o consumo de GLP vem registrando alta, nas residências o uso do combustível permanece estável, dividindo mercado com a lenha, segundo o presidente da Sindigás, associação dos distribuidores do insumo, Sergio Bandeira de Mello. Ainda sem dados de 2020, Bandeira de Mello lembra que a lenha já ultrapassou o GLP em 2018 e 2019, uma opção menos segura que o botijão de 13 kg, porém a única saída para muitas famílias.

“A margem do distribuidor está diminuindo, porque há muita dificuldade de repassar os custos. Estamos diante de uma crise sanitária, com redução de emprego e renda, é bem complicado”, avalia Bandeira de Mello. Em regiões como o Centro-Oeste, explica, a situação é pior porque a logística é bem mais cara.

Bandeira de Mello destaca que já existem 11 projetos no Congresso Nacional sobre o “gás social”, mas nada ainda foi para frente.

De acordo com o economista André Braz, coordenador de índices de preços do FGV Ibre (Instituto de Economia da Fundação Getúlio Vargas), o gás de cozinha compromete 1% da renda familiar do brasileiro. Ele avalia que à medida que a vacinação for avançando, e a economia sendo reaquecida no mundo inteiro, a tendência é que o petróleo continue em um viés de alta, impactando ainda mais  o preço do produto. A valorização do real, porém, pode ajudar a blindar os aumentos, mas nunca fazer o preço do gás de cozinha cair.

Para ele não existe uma ameaça real da lenha substituir o gás de cozinha, porque quem utiliza a lenha já não está podendo comprar o gás ao preço atual. Ele prevê que, à medida em que a economia for melhorando, gerando mais emprego e renda, o uso do GLP também retornará aos lares que hoje usam lenha para cozinhar.

“As revisões pra cima de previsão do PIB (Produto Interno Bruto) indicam melhora do mercado de trabalho, e com certeza as famílias vão preferir o gás de cozinha do que lenha, que é muito mais seguro”, afirmou.

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *