
A Fábrica da Electrolux em São Carlos, virou o assunto mais comentado entre os moradores de São Carlos no interior de São Paulo, após a gigante sueca de eletrodomésticos comunicar oficialmente ao Sindicato dos Metalúrgicos e ao Comitê Sindical de Empresa (CSE) que pretende demitir cerca de 160 colaboradores. A justificativa? Um suposto “excesso de pessoal”.
Mas os impactos não param por aí. Fontes internas revelaram que, nos últimos meses, a empresa também promoveu o desligamento silencioso de aproximadamente 50 aposentados que continuavam atuando na unidade fabril. A movimentação gerou forte reação sindical e causou um verdadeiro climão entre os trabalhadores.
O que é o Plano de Demissão Voluntária (PDV)?
Para tentar aliviar a tensão após a Electrolux expor a drástica decisão de cortes, a empresa iniciou conversas para implementar um Plano de Demissão Voluntária (PDV). A proposta inclui incentivos financeiros para quem decidir aderir ao programa e deixar a companhia de forma “espontânea”. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, as regras e a data de abertura para inscrições devem ser divulgadas nos próximos dias.
“O CSE e o Sindicato estão acompanhando de perto as negociações e tentando preservar ao máximo os postos de trabalho. Nossa prioridade é proteger os direitos dos trabalhadores”, declarou Vanderlei Strano, presidente da entidade sindical.
Sindicato tenta evitar cortes, mas empresa recusa Lay-Off e adota férias coletivas
Ao longo da última semana, várias reuniões foram realizadas entre o sindicato e a direção da empresa. A proposta principal apresentada foi a adoção do Lay-Off, uma medida temporária que suspende contratos de trabalho por um período determinado, com o objetivo de evitar demissões em massa.
“Infelizmente, a Electrolux recusou o Lay-Off e optou apenas pela concessão de férias coletivas”, lamentou Strano. A decisão foi vista como um balde de água fria pelos funcionários, que esperavam uma solução menos agressiva.
Além disso, o sindicato denunciou dificuldades em acompanhar o número exato de trabalhadores demitidos que já estavam aposentados. O motivo? As mudanças trazidas pela reforma trabalhista.
“A reforma trabalhista eliminou a obrigatoriedade de homologações no sindicato, o que dificulta o nosso controle sobre os desligamentos de aposentados”, explica o presidente.
Mudança radical: Electrolux investe pesado na modernização da fábrica de São Carlos
Em meio ao anúncio das demissões, a empresa tenta reforçar sua imagem com dados sobre investimentos realizados na unidade de São Carlos. Segundo o diretor da fábrica, o engenheiro Oscar Tavares Neto, a Electrolux investiu R$ 520 milhões em 2024 na expansão e nacionalização da produção de fogões e fornos domésticos.
“Com esse investimento, nossa unidade se torna a mais moderna do grupo no mundo para este segmento”, destacou Tavares Neto.
Além de ampliar a capacidade produtiva, a fábrica registrou uma significativa redução nas emissões de CO2, cerca de 1.500 toneladas anuais, graças à eliminação do transporte marítimo para importação de componentes.
Automatização industrial: Fábrica ganha 60 robôs e linha de pintura automatizada
Outro destaque do investimento foi a automatização industrial. A linha de pintura passou a operar de forma totalmente automatizada, resultando em um processo mais limpo e com maior economia de água. Foram ainda instalados 60 robôs nas linhas de montagem, o que aumenta a produtividade, mas também levanta debates sobre o futuro dos empregos na planta.
A fábrica de São Carlos tem capacidade para produzir 15 mil produtos por dia, incluindo fornos, fogões e lavadoras, totalizando aproximadamente 3 milhões de unidades por ano.
Diversidade e inclusão: metas ambiciosas até 2030
No aspecto social, a Electrolux divulgou dados de diversidade que chamaram atenção. Atualmente, a planta conta com 2.031 colaboradores, sendo 72,2% homens e 27,8% mulheres. Desses, 88% atuam na produção e 12% na área administrativa.
A fábrica também abriga 99 colaboradores PcD (Pessoas com Deficiência) e 25,7% das mulheres já ocupam cargos de liderança, com a meta de alcançar 50% até 2030.
Outro dado que ganhou repercussão foi o fato de que 25% das vagas estão reservadas para a comunidade LGBT+, uma estratégia que a empresa classifica como parte de sua política de inclusão e responsabilidade social.
Clima tenso se instaura após a Electrolux expor decisão de cortes
A notícia das Electrolux demissões deixou o ambiente na fábrica carregado. Muitos trabalhadores relatam insegurança e medo do futuro, especialmente aqueles próximos da aposentadoria ou que ocupam cargos menos especializados.
O sindicato segue cobrando mais transparência da empresa e espera que as regras do Plano de Demissão Voluntária contemplem benefícios atrativos para reduzir os impactos sociais da medida.
Enquanto isso, a Electrolux garante que continuará investindo na unidade e promovendo melhorias na estrutura produtiva.

Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.







