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Estação Mayrink e sua irmã de Varginha – MG

Tarcísio Lourençon

2 de setembro de 2020
Atualização:12 dez 2021 às 23:37

A Estação de Mayrink tem uma estação irmã? A busca por inspirações modernas e arrojadas, com a capacidade de ampliar a criatividade, é sempre o maior objetivo dos arquitetos nos dias atuais. Há mais de um século, Victor Dubugras, um arquiteto francês, criado na Argentina e radicado no Brasil, enfrentou esse enorme desafio ao projetar a Estação Mayrink, a primeira obra de concreto armado do país, e com isso, tornou-se referência para muitos estudantes de arquitetura e para profissionais conceituados na carreira.

Nossa história de hoje começa em 28 de maio de 1892, quando o primeiro trem, uma maria fumaça da Estrada de Ferro Muzambinho, chegou  até as primeiras instalações da cidade mineira Varginha. Era um grande esforço da companhia para alçar êxito no projeto de interligação Rio/Minas.

O progresso enfim chegou a aquela região, que contava com trens de passageiros e de cargas, mas com o tempo, a sede da estação já não comportava tamanho movimento e precisou ser ampliada. Foi então em 1933, que o Presidente Getúlio Vargas decretou a construção de uma nova estação (Decreto nº 22.847 de 23 de junho de 1933).

Após intensas obras, Varginha inaugura sua nova estação, em julho de 1934, com projeto dos engenheiros Armindo Paione e Brás Paione – coincidência, mesmo que mínima, esta estação foi a primeira obra de concreto armado da cidade. Quem visita a Estação Varginha, pode notavelmente verificar que a obra é em parte, uma reprodução da Estação Mayrink, de Vitor Dubugras, e pela cidade, também reza a lenda de que o projeto “é uma mesa com as pernas para cima”.

 Os trens de passageiros serviram Varginha até 20 de março de 1978, e os cargueiros circularam até meados de 2005, para atender exclusivamente para transportar trigo do porto de Angra dos Reis até o Moinho Sul Mineiro.

A estação então, assim como tantas outras no país, passou por um período de abandono, até que foi tombada pelo município e adquirida pela prefeitura em 2002, da Rede Ferroviária Federal S/A – RFFSA. Outra coincidência com Mairinque, é que entre os anos de 2001 e 2002, no mandato de Antonio A. Gemente, a Estação Mayrink também era adquirida da RFFSA e recebia a instalação do Centro da Memória Ferroviária.

Estação na cidade de Varginha (MG) em arquitetura igual a da cidade de Mairinque em São Paulo.

Apenas restaram 35 quilômetros de trilhos da antiga ferrovia, entre as cidades de Três Corações e Varginha. Existe um grande esforço local, tanto das empresas, dos grupos de preservação ferroviária, dos gestores e dos varginhenses, para se manter viva as histórias e os patrimônios dos tempos áureos da Estrada de Ferro Muzambinho.

Atualmente este ramal ferroviário está sob a concessão da FCA – Ferrovia Centro Atlântica, do Grupo Vale, que transportava até 2012 cargas de fertilizantes vindos do Porto de Vitória até um terminal em Varginha. A esperança é de que este trecho seja reativado, conforme diversos anúncios feitos pelo Governo Federal, que propõe investimentos no modal ferroviário em todo o país.

Em 2015, tive a oportunidade de visitar esta encantadora cidade, que além de suas misteriosas histórias e relatos sobre alienígenas, nos encanta com seus patrimônios e parques. Pude conhecer a Estação Varginha, que hoje é utilizada para atividades sociais e culturais, e por ter semelhança com a nossa estação de Mairinque, “fez sentir-me em casa”.

Tarcísio Lourençon

Colunista de opinião e contribuinte

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