
A Câmara de Sorocaba recebeu, na noite da última sexta-feira (09/05), a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para discutir a proposta de fim da escola 6×1, de emenda à Constituição que pretende diminuir a jornada máxima de trabalho para 36 horas semanais, distribuídas em quatro dias.
Durante o encontro, Erika destacou que a redução pode gerar novos empregos, já que a mudança permitiria criar mais turnos em diversos setores. Segundo ela, o custo da mão de obra hoje não é o que pesa no orçamento das grandes empresas — o problema, afirma, está nos benefícios milionários que elas recebem enquanto os pequenos negócios seguem sem acesso a crédito ou apoio.
A parlamentar também chamou atenção para o impacto que a carga horária atual tem na vida das mulheres, principalmente as mães.
“Um dia de folga não significa descanso, significa correr atrás de vaga no posto, cuidar dos filhos e da casa. Não existe descanso real”, afirmou.
O plenário da Câmara estava cheio. Representantes de sindicatos, movimentos sociais, vereadores e moradores de Sorocaba participaram da audiência. O debate foi puxado pelo vereador Raul Marcelo (PSOL), que destacou como o tema saiu das redes sociais e passou a ser discutido também nas ruas, igrejas, fábricas e até nos botecos.
Leandro Soares, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região, reforçou os dados do Dieese, que apontam que a redução da jornada para 40 horas semanais poderia gerar 3,5 milhões de empregos no Brasil — e que com 36 horas, esse número subiria para 8,8 milhões. Só em Sorocaba, isso poderia beneficiar 78% dos trabalhadores formais da região.
Proposta em debate nacional
A Câmara dos Deputados criou uma subcomissão para discutir a PEC 8/25, que trata dessa mudança. Erika Hilton, autora da proposta, será a presidente do grupo.
A ideia é ouvir empregadores, sindicatos e diferentes setores da economia para entender os desafios de cada área. A subcomissão também pretende rodar o país para apresentar a proposta e ouvir a população.
“A gente sabe que o debate é complexo. Cada setor tem sua realidade e precisamos escutar todo mundo. Mas não dá pra aceitar que digam que não dá pra mudar. O mundo está mudando, e a gente também precisa”, disse Erika.
Ela ainda reforçou: “Trabalhar não pode ser o fim. As pessoas querem tempo pra viver, cuidar da saúde, estudar, curtir a vida. Ninguém quer morrer trabalhando.”Movimento “Vida Além do Trabalho”A proposta nasceu de uma mobilização nas redes sociais com o nome “Vida Além do Trabalho”.
O movimento ganhou força no fim de 2023 e já reúne quase 3 milhões de assinaturas em um abaixo-assinado pedindo o fim da jornada 6×1. A PEC foi oficialmente protocolada em fevereiro de 2025, com apoio de 209 deputados — 38 a mais do que o mínimo necessário. Pela proposta, a jornada de trabalho normal no Brasil passaria a ter: até 8 horas por dia no máximo 36 horas por semana e seria dividida em 4 dias de trabalho.
As mudanças só valeriam um ano após a promulgação da proposta, caso ela seja aprovada. O caminho até a aprovação. O processo para aprovar uma PEC é longo. Depois de passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a proposta precisa ser analisada por uma comissão especial, que pode sugerir mudanças no texto. Se for aprovada, ela segue para votação no plenário da Câmara, onde precisa de 308 votos favoráveis em dois turnos. Depois disso, ainda precisa passar pelo Senado.
Governo apoia o debate
O presidente Lula também defendeu que o Brasil avance nesse debate. Em pronunciamento no fim de abril, ele disse que é hora de discutir a jornada de trabalho com foco no bem-estar e no equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.







