
Depois de quase uma década longe dos negócios e dos holofotes, o empresário Eike Batista está de volta. Em fevereiro deste ano, ele surpreendeu ao anunciar seu retorno por meio de uma publicação nas redes sociais. Um simples: “I’m back”, acompanhado de uma reportagem da Bloomberg, foi o suficiente para reacender a curiosidade — e as polêmicas — em torno de seu nome.
O motivo? Um novo projeto ambicioso: a exploração da chamada “supercana”, uma variedade de cana-de-açúcar desenvolvida para produzir até três vezes mais etanol por hectare do que a cana convencional e até 12 vezes mais bagaço. A proposta é usar essa matéria-prima na produção de combustível para aviação e embalagens sustentáveis.
A promessa veio acompanhada de um anúncio ainda mais ousado: Eike afirma ter garantido investimento de 500 milhões de dólares — o equivalente a quase 3 bilhões de reais — para impulsionar o projeto.
O empresário foi além. Marcou Elon Musk em uma de suas postagens, fazendo referência a um antigo encontro no Rio de Janeiro e propondo uma conversa sobre a tal supercana e possíveis parcerias.
Mas, como era de se esperar, o anúncio dividiu opiniões. Alguns celebraram o retorno de um dos nomes mais emblemáticos do empresariado brasileiro. Outros, porém, reagiram com ceticismo — relembrando a trajetória de ascensão meteórica e queda abrupta de Eike, que já chegou a ser o homem mais rico do Brasil, com uma fortuna estimada em 34,5 bilhões de dólares em 2012.
Em poucos anos, seu conglomerado — conhecido como “Império X” — ruiria em meio a escândalos, promessas não cumpridas e uma crise desencadeada, entre outros fatores, por estimativas superdimensionadas de reservas de petróleo da OGX.
Preso em 2017 e condenado em 2021 por crimes contra o mercado de capitais, Eike ainda responde a cinco ações penais e tem parte de seu patrimônio bloqueado pela Justiça. Mesmo assim, garante: agora é diferente.
No centro desse novo projeto está o agrônomo Sizuo Matsuoka, pesquisador com décadas de experiência em melhoramento genético da cana-de-açúcar. Matsuoka foi um dos fundadores da CanaVialis, iniciativa voltada ao desenvolvimento de variedades mais produtivas da planta, inclusive para uso energético.
A chamada “cana-energia”, como ficou conhecida, gera mais bagaço — material essencial na produção de energia por biomassa. A ideia não é nova e já foi testada por grandes players do setor, como a Votorantim e a Cosan, sem sucesso comercial até agora.
Mas Eike aposta que o projeto atual é diferente: fruto de 17 novas variedades desenvolvidas a partir de cruzamentos com material genético importado dos EUA, França e Barbados. E tudo feito de forma convencional — ou seja, sem modificações genéticas em laboratório.
A tecnologia, segundo ele, pode ser revolucionária e transformar o setor de combustíveis e embalagens sustentáveis. Apesar das dúvidas da indústria, Eike afirma que está preparado para provar que a supercana é viável — e, quem sabe, recuperar parte da confiança do mercado.
Resta saber se o novo capítulo dessa história será marcado por inovações ou polêmicas.

Jornalista com mais de 9 anos de experiência, estudou na faculdade ESACM, e trabalhou no jornal impressos O Democrata, com circulação na região de São Roque, interior de São Paulo, bem como trabalhou na televisão, na REDETV em Osasco, sendo produtor do RedeTV News, trabalhou por um período no São Roque Notícias em 2011, e fundou o popular jornal Correio do Interior em 2016. Em 2020 tornou-se correspondente do Metrópoles no interior de São Paulo. Ainda em 2020 foi convidado pelo Google Brasil a participar do Google News Initiative (GNI) para aprimorar-se em boas práticas do jornalismo digital. Como jornalista é especialista em assuntos de vagas de trabalho, noticias locais e conteúdos de editoria regional e policial.




