Donald Trump diz que vai dar resposta ao Brasil em meio prisão de Bolsonaro

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Donald Trump Diz Que Vai Dar Resposta Ao Brasil Em Meio Prisão De Bolsonaro

A condenação e prisão de Bolsonaro vai afetar as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos enfrentam uma nova onda de tensão após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de organização criminosa e tentativa de golpe contra o Estado Democrático de Direito. A decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) repercutiu fortemente no exterior, principalmente entre aliados do ex-presidente norte-americano Donald Trump.

Em entrevista concedida à emissora Fox News, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Washington deve reagir à decisão judicial brasileira “já na próxima semana ou algo próximo disso”. Segundo Rubio, a condenação seria parte de um movimento de enfraquecimento do Estado de Direito no Brasil. “Estamos vendo juízes ativistas – um em particular – perseguindo Bolsonaro. Houve até ameaças contra cidadãos americanos por postagens feitas nos EUA. Isso não pode passar despercebido. Os Estados Unidos vão reagir”, declarou.

Rubio também recuou de declarações anteriores feitas pela gestão Trump, dizendo que o caso de Bolsonaro “vai além do julgamento em si” e representa um novo capítulo de uma “campanha de perseguição judicial” que, segundo ele, também afeta empresas e indivíduos americanos.

O clima entre os dois países se agravou desde a condenação, e a resposta norte-americana poderá envolver novas sanções ou medidas diplomáticas. Vale lembrar que os EUA já aplicaram sanções comerciais ao Brasil, como a tarifa de 50% sobre algumas exportações, justificando a medida como reação a “instabilidades políticas internas”. Desde o início de setembro, parte dessas tarifas começou a ser revista — como a exclusão da celulose e do ferro-níquel da lista de produtos taxados.

Declarações polêmicas e ameaças de sanções

Marco Rubio, conhecido por seu alinhamento ao trumpismo, foi também o responsável por suspender o visto do ministro Alexandre de Moraes e de outras autoridades brasileiras. Ele classificou Moraes como “violador dos direitos humanos” e acusou o STF de promover perseguições políticas. “Os Estados Unidos darão uma resposta firme a essa verdadeira caça às bruxas”, declarou Rubio.

A fala gerou resposta imediata do Itamaraty, que condenou as declarações do secretário norte-americano. “Continuaremos a defender a soberania nacional frente a agressões e tentativas de interferência, independentemente de sua origem. As ameaças proferidas por autoridades estrangeiras não intimidam a democracia brasileira”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores em nota.

Outros membros do governo americano também se manifestaram. O vice-secretário do Departamento de Estado, Christopher Landau, disse que o julgamento conduzido por Moraes leva as relações bilaterais “ao ponto mais sombrio em dois séculos”. Já Darren Beattie, subsecretário de Diplomacia Pública, afirmou que a sentença imposta a Bolsonaro representa “censura e perseguição”.

Eduardo Bolsonaro espera mais pressão internacional

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente e também investigado pela Polícia Federal, afirmou à agência Reuters que espera uma escalada da pressão internacional contra o STF. Segundo ele, sanções como as aplicadas a Moraes sob a Lei Magnitsky — que prevê punições por violações de direitos humanos — também podem atingir os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, que compuseram o julgamento da Primeira Turma.

Apesar das críticas vindas de fora, o Supremo Tribunal Federal tem reiterado que as decisões seguem rigorosamente os trâmites legais e estão amparadas por provas robustas. O caso segue alimentando tensões diplomáticas e gerando repercussão política tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.